Pax Iulia — Roma em Beja
A cidade de Beja foi a colónia romana de Pax Iulia (fundada/nomeada por Júlio César) / Pax Augusta (período augustano). Foi sede de um dos 3 Conventos Jurídicos da Lusitânia (o Conventus Pacensis).
Nome oficial confirmado
- Colonia Pacis Iuliae — confirmado epigraficamente pela inscrição de Augusto (3–2 a.C.): ”…COLONIAE PAC(is) IUL(iae)…”1
- Abreviação corrente: Pac. Iul. (como em canalizações de chumbo de Évora: LIB·IVL para Liberalitas Iulia)2
Evidências arqueológicas
- Inscrição romana na parede da Câmara Municipal (há ~300 anos): homenagem a L. Aelio Aurélio Cómodo; Duúmviros: Quinto Petróneo Materno e Caio Júlio Juliano; encontrada no sítio da Lobeira — IRCP 2913; já transcrita pelo P. Pedro Pires Nolasco Serrano em 17344
- “Estradas encubertas” / canalizações subterrâneas — descritas em 1734 como vestígios romanos4
- Cabeças de touro — André de Resende achou 10 em tempo de D. Sebastião; 7 ainda existentes em 18455
- Muralhas romanas (depois reedificadas por D. Afonso III)6
Antecedentes pré-romanos
- Idade do Bronze Final (~1000 a.C.): o povoado central da região era o Outeiro do Circo; a colina de Beja terá assumido o papel coordenador na Idade do Ferro após o seu abandono7
- Idade do Ferro (séc. VII a.C.): primeiros vestígios de Beja; primeira muralha na Rua do Sembrano; necrópoles a ocidente (Necrópoles da Idade do Ferro de Beja)6
Nome
Pax → Pacca (Godos) → Bexa/Béja (Árabes) → Beja. “Não podendo os Árabes pronunciar bem Pax Julia, disserão Baxú, que se corrompeo em Béja”5
Fundação e cronologia
Posição de Faria (2001) — consenso actual: fundação por Octaviano entre 31–27 a.C., após Áccio:2
- O nome Pax Iulia encaixa no contexto ideológico pós-Áccio
- Tribo Galeria = indicador de fundação augustana (não cesariana)
- Moedas de Pax Iulia: cronologia provável 31–27 a.C.
Pax Augusta (Estrabão 3.2.15) = lapso do geógrafo; não indica mudança de nome.2
Debate: outros autores (Encarnação/IRCP, Mantas, Richardson, MacMullen, etc.) defendem fundação por César; Faria rebuta sistematicamente.2
Reabertura da via cesariana (M. Conceição Lopes, 2018): a arqueologia revelou em 2016 contextos urbanos de época republicana (meados do séc. I a.C.) — antes inexistentes. Isto recoloca o debate em torno de César e dá contexto histórico ao busto de Júlio César do Museu.8
Funcionamento activo: séc. I a.C. – séc. V d.C.6 Capital do Conventus Pacensis (um dos 3 conventos jurídicos da Lusitânia, criado pelos Flávios/Vespasiano, que concedeu o Ius Latii Minus à Hispânia em 73-74)9
Ligações
- André de Resende
- D. Fr. Amador Arraes
- Muralhas de Beja
- Urbanismo Romano de Pax Iulia
- Sociedade Pacensis
- Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro)
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes)
- Pax Iulia, Felicitas Iulia, Liberalitas Iulia (António M. Faria)
- António M. Faria
- Relatorio das Couzas Notáveis desta Cidade de Beja (Marta Páscoa)
- O Busto de Júlio César de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2018)
Tags
pre-historia romano idade-moderna religiao
Footnotes
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Pax Iulia, Felicitas Iulia, Liberalitas Iulia (António M. Faria) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Uma Homenagem… Política! — A Inscrição de Lúcio Vero (José D’Encarnação, 2022) ↩
-
Relatorio das Couzas Notáveis desta Cidade de Beja (Marta Páscoa) ↩ ↩2
-
Ensaio sobre a Região de Beja em torno do Ano Mil a.C. (Raquel Vilaça) ↩
-
O Busto de Júlio César de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2018) ↩