Muralhas de Beja
Sistema defensivo de Beja com múltiplas camadas históricas — romanas, medievais e do século XVII.
Muralha romana / medieval
- 3–2 a.C. — o próprio Imperador Augusto ofereceu as muralhas, torres e portas à Colonia Pacis Iuliae — comprovado por inscrição monumental encontrada em 1879 junto à Porta de Avis (ver Inscrição Monumental de Pax Iulia (José D’Encarnação))1
- Muros romanos reedificados por D. Afonso III após destruição sucessiva2
- Quase 40 torres e outras tantas cortinas (muito arruinadas em 1845)3
- 3 portas romanas: Porta de Avis, Porta de Mértola, antiga Porta de Évora (pórtico tapado, junto da Torre de Homenagem)2
- Portas modernas: Portas de Moura (Lés-Nordeste), Porta de Aljustrel (Sudoeste), Évora nova (Noroeste), Porta Nova + Postigo da Corredoura / N.ª Sra. dos Prazeres2
Anatomia (manuscrito anónimo de 1868-9)
A descrição mais detalhada vem de um manuscrito da colecção do P. José Inácio de Mira (ver Muralhas de Beja (transcrição de Marta Páscoa, 2023)):
- Dois lanços concêntricos: muralha principal (lanço superior) sobre uma barbacã/contra-muro (lanço inferior), que formava um terrado defensivo em torno da base2
- 36 cortinas + 36 baluartes nos vértices de um polígono quase regular, mais 4 baluartes maiores (~40 no total); varandas com frestas e setteiras; fossos em redor2
- Critério romano vs. afonsino: o romano é maciço; a “fábrica afonsina” tem só paramentos de pedra com taipa (terra batida) no interior — marca da pressa da reedificação de Afonso V (ou III)2
Muralha exterior (séc. XVII)
- 1664 — D. João IV ordena construção de nova cintura defensiva (contexto: Guerra da Restauração)4
- Marquês de Marialva governa a Província; eng.-mor Luís Serrão Pimentel consultado4
- 1666 — obras começadas; quarteirão-mestre Luís de La Sellerie superintende4
- Obras suspensas (dinheiro desviado); resultado: 5 baluartes construídos + 3 apenas delineados em terra4
Portas romanas (sistematização)
- Porta de Évora — arco romano preservado; necrópole flávio-tibéria a Este5
- Porta de Avis — local ocupado por Ermida N.ª Sra. da Guia (1635→1893→1939)6
- Porta de Mértola — a mais imponente; demolida 18765
- Porta da Rua Brito Camacho — proposta por Jorge de Alarcão; contestada por M. Conceição Lopes5
- Quinta Porta Romana de Beja — proposta por Leonel Borrela (2006); ver Porta Romana Inédita em Beja (Leonel Borrela)7
Uso militar em 1808
As muralhas ainda eram defensáveis na Guerra Peninsular: no Saque de Beja de 1808, a cidade apresentava-se “cercada de altas muralhas com as portas barricadas”, arrombadas a machado pelas tropas de Maransin.8
Dados gerais
- Perímetro: ~2 km; área intramuros: ~30 ha5
- Última restauração sistemática: anos 1940 (Monumentos Nacionais)5
- Trecho demolido após 1790 para materiais da Sé Catedral5
Ligações
- Muralhas de Beja (transcrição de Marta Páscoa, 2023)
- Torre de Homenagem
- Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro)
- Pax Iulia — Roma em Beja
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes)
- Urbanismo Romano de Pax Iulia
- Saque de Beja de 1808
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Footnotes
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Muralhas de Beja (transcrição de Marta Páscoa, 2023) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Beja na Guerra da Restauração — ver La Frontera del Alentejo durante la Guerra de Restauración (Ana Teresa de Sousa) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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O Arco de Avis — Restaurar a Memória de Pax-Júlia (Agenda Cultural de Beja) ↩
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As Movimentações Militares do Exército Napoleónico no Alentejo 1807-1808 (José Luís Assis) ↩