Villa Romana de Pisões — Uma Beja pouco Romana (Bruno Ferreira, O Atual, 2023–2024)
Artigo de divulgação/opinião sobre o estado de abandono da Villa Romana de Pisões, com descrição histórica e arqueológica do sítio, e crítica à falta de investimento público. O título refere-se à fraca valorização de Beja do seu próprio património romano.
Dados arqueológicos e históricos
Localização e ocupação: Villa romana na Herdade de Algramaça, freguesia do Penedo Gordo, concelho de Beja. Pertenceu a família de grandes posses de Pax Iulia; centro de produção agrícola e pecuária; abastecia a cidade. Ocupada entre os sécs. I e IV d.C., e depois até ao período visigótico.1
Descoberta em 1964: durante trabalhos agrícolas, a charrua encontrou resistência no subsolo; com máquina de maior potência foram desenterrados três grandes pesos de lagar (pisões → nome do sítio). Relatada ao arqueólogo Fernando Nunes Ribeiro, que pediu ao proprietário José Joaquim Fernandes para guardar todas as pedras. As escavações arrancaram rapidamente e decorreram durante várias décadas.1
Arquitectura (48 divisões):
- Pátio central ao ar livre com 4 colunas
- Grande tanque/piscina: 40 m × 8,30 m
- Complexo termal com hipocausto (aquecimento); placas de mármore; água quente, tépida e fria
- Sala com tanque interior coberto de mosaicos marinhos (lazer no calor)
- Fachada principal orientada para Sul; espelho de água dos maiores da Península neste tipo de edifícios
- 4 estruturas funerárias paralelas à piscina
- Estruturas agrícolas adjacentes: lagares, celeiros, residências dos trabalhadores1
Classificação: Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 251/70, de 15 de Maio de 1970.1
Vandalismo pós-25 de Abril: mosaicos com cruzes suásticas (símbolo solar de boa sorte romano, sem relação com o nazismo) foram vandalizados por desconhecimento.1
Protocolos recentes:
- Agosto de 2017: protocolo CMB + Universidade de Évora + Direcção Regional de Cultura do Alentejo para valorização e abertura ao público.
- Maio de 2022: protocolo União de Freguesias de Santiago Maior e São João Batista + Museu Regional Rainha D. Leonor + UÉ; André Carneiro (UÉ) lidera o estudo dos materiais do acervo, depositados no Museu Regional, em laboratório instalado na aldeia do Penedo Gordo. Exposição no Museu do Sembrano (Beja).1
Visita virtual: 6 bancos em pontos estratégicos com tablets permitindo reconstrução 360º do espaço romano.
Como citar
Ferreira, B. (2023–2024). Villa Romana de Pisões — Uma Beja pouco Romana. O Atual — Informação de Verdade. https://oatual.pt [artigo de divulgação]
Fontes relacionadas
- Villae de Pisões
- Pax Iulia — Roma em Beja — contexto romano
- Museu Rainha D. Leonor — onde está depositado o acervo