Dá Deus Templos a quem não tem vontade (Bruno Ferreira, O Atual, 2023–2024)

Artigo de opinião/divulgação sobre o abandono institucional do Fórum Romano de Beja e da Casa da Moeda, com narrativa histórica sobre as descobertas arqueológicas. O título parafraseia a expressão popular, aplicada à incapacidade da cidade de valorizar um dos mais importantes sítios arqueológicos de Portugal.

Dados históricos relevantes

Abel Viana e a primeira descoberta (1939): O arqueólogo vianense Abel Viana registou a primeira nota sobre o complexo romano em 1939, aquando da abertura dos caboucos para a construção do reservatório de água de Beja (entretanto demolido). Identificou “um grande edifício que interpretou como o templo romano de Pax Julia”. Os vestígios foram tapados.1

Conceição Lopes e as escavações modernas (anos 1990–): No final dos anos 90, a arqueóloga M. Conceição Lopes (Instituto de Arqueologia, Fac. Letras, Univ. Coimbra) retomou os trabalhos. Doutoramento em 2000: “A cidade romana de Beja. Percursos e debates acerca de Pax Iulia”. Ao longo de 30 anos realizou escavações em Beja e outros concelhos; dirigiu os trabalhos junto da Praça da República (Beja).1

O edifício da Idade do Ferro (desde 2021): Estrutura tripartida: dois compartimentos rectangulares de 3,48 m × 1,10 m enquadrando um espaço central aberto, que se prolonga para SO; datado de entre o final do séc. V e a 1.ª metade do séc. IV a.C.; com obras de manutenção entre o final do séc. II e início do séc. I a.C. Função sacra num espaço de santuário.1

Casa da Moeda de Beja (sécs. XV–XVI): A Casa da Moeda funcionou entre os sécs. XV e XVI. Documento em biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia: concessão de D. João III a Rui Lopes (vedor da casa real) para descobrir mina de azougue e cobre e cunhar moeda de ceitis em Beja. Porém, Rui Lopes cunhou moedas não autorizadas — episódio descrito por Conceição Lopes como “novidade histórica” nas políticas económicas dos Descobrimentos, comparável (em ousadia) a Alves dos Reis. Escavações na Casa da Moeda iniciadas, mas pararam em 2015 por contencioso entre a CMB e a empresa de arqueologia.1

Congresso do Porto (24 de Novembro, ano não especificado): Apresentados os primeiros estudos integrados sobre a Casa da Moeda de D. João III, com a presença de Maria da Paz García Bellido y García de Diego (Prof.ª Catedrática, Univ. Autónoma de Madrid; especialista mundial em numismática). A INCM e o Banco de Portugal disponibilizaram 20.000 euros para avançar com os trabalhos; proposta enviada à CMB a 30 de Novembro — sem resposta.1

Conistorgis: o artigo menciona a forte possibilidade de Beja ter sido Conistorgis, “a capital dos Cónios”, referida por Estrabão (“a mais importante cidade ocidental do poderoso reino Andaluz”), cujo nome em cónico significaria “Cidade Real”.1

Como citar

Ferreira, B. (2023–2024). Dá Deus Templos a quem não tem vontade. O Atual — Informação de Verdade. https://oatual.pt [artigo de divulgação]

Fontes relacionadas

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romano arqueologia beja

Footnotes

  1. Ferreira, B. (2023–2024). Dá Deus Templos a quem não tem vontade. O Atual. 2 3 4 5 6