Necrópole da Estação de Beja
Necrópole romana de inumação e cremação localizada junto à estação dos caminhos de ferro de Beja (construída no século XIX), na estrada entre a estação e a cidade, adjacente ao armazém de adubos. Parte da necrópole periurbana de Pax Iulia.
Achados
A existência de sepulturas nesta área era conhecida já antes de 1902 — dois vidros romanos (fragmento de vaso branco ornamentado e conta azul com estrias) foram aí recolhidos e enviados para o Museu Etnológico Português.1
Em fins de 1904 / inícios de 1905, durante desaterros para obras, apareceram numerosas ossadas e objectos arqueológicos. Leite de Vasconcelos enviou Bernardo António de Sá para escavar. Objectos recuperados e entregues ao Museu Etnológico:2
- Arma de ferro (pugio romano?)
- Fragmento de inscrição funerária em mármore com vestígios de pintura nas letras
- Unguentário de vidro (dentro de vaso de barro)
- Parte inferior de vaso de barro avermelhado
A única sepultura intacta era de lâminas de mármore (1,85 × 0,50 × 0,56 m), coberta por cinco fiadas de tijolos, orientada nascente–poente, com esqueleto supino. As inundações repetidas deslocaram alguns ossos.
A necrópole foi descrita como “vasta”. Muitas sepulturas tinham sido destruídas durante a construção da linha férrea; as lâminas de mármore foram reutilizadas para lajeamentos. Há também referências a panelas de barro com cinzas e ossos calcinados — enterramentos de cremação.
Fontes
- Museu de Cenáculo e Vidros Romanos de Beja (Leite de Vasconcelos, 1899–1902)1
- Necrópole Romana da Estação de Beja (Leite de Vasconcelos e Sá, 1905)2