Museu Rainha D. Leonor

Museu Regional de Beja, tutelado pela Assembleia Distrital (os municípios do distrito) - a principal instituição museológica da cidade. O nome oficial homenageia D. Leonor, filha dos fundadores do Convento da Conceição (os 1.os duques de Beja), nascida em Beja em 1458.

História da instituição

  • Museu Arqueológico fundado pelo município em 1892; em 1894 a câmara publicou o 1.º fascículo do seu catálogo - Catálogo da Sala Adolpho A. Doria (Pesos e Medidas), Beja, 91 pp. - recenseado por Leite de Vasconcelos n’O Arqueólogo Português (1895)1; o Convento da Conceição foi afectado ao Museu e à Biblioteca Municipal por decreto de 25 de Dezembro de 1917 (a instâncias da Junta Geral do Distrito, após a tentativa falhada de adaptá-lo a Sé em 1906). Biblioteca inaugurada a 5 de Outubro de 1925; Museu a 5 de Outubro de 1927.2 Recebeu também bens da Mitra (pintura, escultura, pratas).3 Nota: Constantino Piçarra (2020) cita a data de 5 de outubro de 1923 para a inauguração da biblioteca - possível diferença entre uma abertura parcial e a inauguração oficial.4
  • Abel Viana (em Beja 1939-1964) deu-lhe renome nacional e internacional; sob a sua alçada, a Junta Distrital editou em 1950 um catálogo ilustrado (~200 fotografias, textos em PT/FR/EN/DE)3
  • António Belard da Fonseca (a partir de meados dos anos 1960): criou a colecção de traje feminino oitocentista, remodelou as galerias do claustro e, em 1973, transferiu para a Igreja de Santo Amaro as colecções visigótica, muçulmana, pré-histórica e parte da romana - origem do Núcleo Visigótico3

Abel Viana trabalhou com a colecção deste museu nos seus estudos de epigrafia e arqueologia romana de Beja. O fragmento da inscrição monumental augustana encontrada em 1879 junto à Porta de Avis não consta desta colecção - desapareceu pouco depois da descoberta.

Fachada - janelas mudéjares do Paço dos Infantes

O alçado principal do Museu incorpora as duas janelas mudéjares geminadas (arcos de ferradura) que pertenciam ao último piso do Paço dos Infantes D. Fernando e D. Beatriz, demolido em 1893-1895. Após a demolição, foram integradas na frontaria projectada para a futura Sé (projecto interrompido em 1906 com a morte do bispo D. António Xavier de Sousa Monteiro), ficando assim no edifício que viria a ser o Museu.5

Acervos - doações notáveis

Em 8 de Maio de 1995, José Eduardo Barbosa Bentes doou um capitel romano de pilastra adossada (mármore de Trigaches, séculos III-IV d.C., decoração de folhagem e volutas estilizadas tardias) proveniente de ruínas romanas não inventariadas próximo do Penedo Gordo.6

Acervos notáveis

  • Medalheiro romano: 666 denários republicanos/consulares, adquiridos em 1941 por diligência de Abel Viana, José Formosinho e da Junta de Província do Baixo Alentejo. O conjunto inclui 69 famílias monetárias e 117 tipos. A alegada proveniência é um tesouro encontrado próximo de Mértola, não em Beja, e foi transmitida indirectamente pelo vendedor.7
  • Cipo Funerário de Lúcio Júlio Arco: fragmento de granito encontrado nos arredores do Monte da Corte Negra, em Mombeja, datado de finais do século I ou inícios do século II.8
  • Estela Funerária de Modestina: monumento funerário do século III encontrado na Herdade do Lamarim, em Baleizão, publicado em 1983 sem número de inventário conhecido.9
  • Cupa de Livínio Eutique: monumento funerário dos séculos II-III dedicado a uma criança de seis anos, encontrado reutilizado na Rua Dom Manuel I n.º 23 e recolhido para os depósitos do Museu.10
  • Fuste Paleocristão de Vale de Aguieiro: coluna de mármore branco provavelmente dos finais do século V ou inícios do VI, decorada com uma representação cristã do paraíso.11
  • Busto de Júlio César de Pax Iulia - retrato de mármore romano, exposto no claustro (reestudado em 2017)3
  • Núcleo Visigótico na Igreja de Santo Amaro - o mais importante acervo de pedras esculpidas visigóticas do país; o 1.º núcleo museológico português dedicado ao período visigótico3
  • Capitéis romanos: ~40 peças (coríntios, compósitos, jónicos, dóricos). Os seis maiores coríntios nas galerias exteriores; dois jónicos na galeria interior (Quadra do Rosário). O coríntio (1,90×1,75×1,00 m) encontrado na Rua dos Infantes em 1982 - possivelmente o maior da Península.12 Também: cornijas (~1,20 m), aduelas, bases de fuste de 1 m de diâmetro. Se reunidos com peças dispersas noutros museus, formariam a maior colecção arqueológica romana de Portugal.12
  • Vénus Anadyomene de Beringel: torso marmóreo (3 faixas: Três Graças; Vénus sobre touro com golfinhos + Cupido com Pothos e Hórus), doado pelos proprietários do terreno.12

Fontes

Notas

  1. Museu de Beja e Inscrições Latinas (Leite de Vasconcelos, 1895) 2

  2. As Portas de Mértola e o Convento da Conceição (Leonel Borrela, 2006)

  3. O Busto de Júlio César de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2018) 2 3 4 5

  4. Beja Republicana - Um Roteiro Republicano da Cidade (Carlos Lopes Pereira, 2020)

  5. À volta do Palácio dos Infantes (Leonel Borrela, 2009)

  6. Mais uma Oferta ao Museu Regional de Beja (Leonel Borrela, 1995)

  7. Denários do Museu Regional de Beja (Abel Viana, 1955)

  8. Cipo Funerário de Mombeja (Manuela Alves Dias, 1983) 2

  9. Cipo Funerário do Lamarim (Manuela Alves Dias, 1983) 2

  10. Cupa de Eutiches, Beja (Dias e Gaspar, 2013) 2

  11. Do Mosaico para o Mármore - O Fuste de Vale de Aguieiro (Jorge Feio, 2016) 2

  12. Restos Monumentais de Pax Julia I-X (Leonel Borrela, 1998) 2 3