Conventus Pacensis
Um dos três conventos jurídicos (circunscrições judiciais e administrativas) da província romana da Lusitânia, com sede em Pax Ivlia (Beja). Os outros dois eram o emeritensis (Mérida, capital da província) e o scalabitanus (Santarém).
Origem
Atribui-se tradicionalmente a criação dos conventus aos Flávios, nomeadamente a Vespasiano (séc. I d.C.).1 Uma corrente mais recente recua-a, porém, ao principado de Augusto (c. 13 a.C.), com base num documento epigráfico descoberto na Galiza e na leitura de Carlos Fabião e Jorge de Alarcão.2 Funcionavam como instância judicial superior à dos magistrados das civitates: um governador de província (ou seu delegado) julgava as causas mais problemáticas, assistido por uma assembleia de representantes das cidades do conventus.3 Eram também unidades religioso-administrativas, com templo e sacerdócio do culto imperial na capital.2
Dioceses e continuidade
Na lista Ovetensis (Escorial), o conuentus Pacensis conta com três dioceses paleocristãs: Pace (Pax Iulia), Ossonoba (Faro) e Ebora (Évora).2 É o conuentus português com mais evidências de paleocristianismo. Já em época islâmica, o território foi reorganizado na kora de Beja (e na de Faro), prolongando o primado da cidade.2 Ver Bispado Visigótico de Beja e Beja Visigótica.
Na Antiguidade Tardia, o uso abundante de mármore e a circulação de modelos cristãos ligaram diferentes centros do antigo território pacense. O Fuste Paleocristão de Vale de Aguieiro, no concelho de Beja, aplica à escultura arquitectónica uma imagem do paraíso mais frequente em mosaicos e sarcófagos.4
Significado para Beja
Ser sede de conventus confirma a importância administrativa de Pax Ivlia no quadro provincial.3 Liga-se à concessão do Ius Latii Minus por Vespasiano (73-74) e à promoção do estatuto das cidades hispânicas.3
Fontes
- Tito Flávio Vespasiano (Leonel Borrela)
- O Domínio Romano em Portugal (Jorge de Alarcão, 1988) - conteúdo de Beja
- Marcas Arquitectónico-Artísticas da Cristianização do Território entre Évora e Beja (Jorge Feio) - a origem augustana, as dioceses da lista Ovetensis e a kora de Beja
- Do Mosaico para o Mármore - O Fuste de Vale de Aguieiro (Jorge Feio, 2016) - mármore e iconografia cristã na Antiguidade Tardia