“Relatorio das couzas notáveis desta cidade de Beja” — A igreja e freguesia de S. João Baptista no século XVIII (Marta Páscoa, 2002)

Transcrição paleográfica e estudo crítico de Marta Cristina Páscoa (Novembro de 2002; colocado on-line em Vila Viçosa, 10 de Janeiro de 2019), de um manuscrito inédito de c. 1734–1735 escrito por P. Pedro Pires Nolasco Serrano, prior da Igreja de S. João Baptista. O original pertence ao Fundo Mira do Arquivo Municipal de Beja (Fundo Mira, n.º 13, cx. 1).

Fonte de excepcional importância — é o mais antigo retrato “por dentro” da freguesia de S. João Baptista (a mais rica e populosa da cidade), cuja igreja foi demolida na Primeira República sem deixar paredes, fotografias ou sinalética. O manuscrito tem ainda anotações sobrepostas por dois outros eruditos bejenses, Fr. Francisco de Oliveira e P. José Inácio de Mira, cobrindo mais de um século de leitura.


1. Natureza, autoria e transmissão do manuscrito

Descrição física

  • Maço de 21 folhas de papel, cosido com corda fina; 315 × 217 mm
  • Sem divisão em capítulos; subtítulos esparsos
  • Datas internas: 11 de Março de 1734; assinatura de 13 de Março de 1734; referência a 1735 (Convento do Carmo)
  • Elaboração estimada: 1 a 2 anos

As três mãos (autoria múltipla)

AutorÉpocaIntervenção
P. Pedro Pires Nolasco Serrano1734–35Autor principal; assina o manuscrito
Fr. Francisco de Oliveiraaté 1766 (sua morte)Dezenas de correcções, complementos, datações; possuiu o ms. ~30 anos; alterações datáveis até 1765
P. José Inácio de Miraséc. XIX (notas datadas 1859)4 notas respeitosas; secretário da Câmara Eclesiástica

Tipos de alteração de Fr. Francisco de Oliveira: complemento de informações e bibliografia; alterações de conteúdo (ex.: substitui “estradas encubertas” por aquedutos; corrige “Misericórdia já existia em 1515” para 1552); correcções gramaticais, semânticas e “temporais” (risca “actualmente”, “é hoje”).

Hipótese central de Marta Páscoa: resposta a um inquérito régio

O Relatorio não seria obra literária voluntária, mas a resposta a um inquérito da Coroa (provavelmente o inquérito de c. 1732 da Secretaria de Estado, base do Dicionário Geográfico do P. Luís Cardoso). Provas:

  • Carta de Fr. Francisco de Oliveira (24 Fev 1742): em 1734 o Cabido de Évora mandou carta circular aos quatro priores de Beja pedindo notícias das fundações das paróquias
  • Ordem do Cabido Sé vacante de Évora (Dezembro 1733): “que todos os parochos mandasem noticias de tudo o mais curiozo que soubesem”
  • Semelhança de estilo com a resposta de Freixo-de-Espada-à-Cinta ao inquérito de 1721
  • Frase “o mais dirá o reverendo prior da ditta freguesia” (sobre S. Sisenando) → cada pároco respondia pela sua freguesia
  • O texto do Dicionário Geográfico (P. Cardoso, art.º Beja) é quase decalque resumido do Relatorio → o manuscrito (ou cópia) terá ido a Évora, onde se compilou um relatório de toda a cidade enviado a Lisboa

Fr. Francisco de Oliveira sobre o método de Cardoso: “as relações asim como vinham, asim se estampavam, se certas, certas, se mentirosas” — confirma o carácter de mera compilação do Dicionário Geográfico.


2. CONTEÚDO DO MANUSCRITO (1734) — “couzas notáveis”

2.1 Origem e nome de Beja

  • Situada na província do Alentejo, arcebispado de Évora, 11 léguas de Évora, na eminência de um alto monte
  • D. Manuel outorgou o título de cidade (provisão de 1518; consciência já no séc. XVIII de que o foral estava por encontrar)
  • Fundação atribuída aos cartagineses (daí a cabeça de boi nas armas, imitação de Cartago) — armas da cidade: cabeça de touro com armas reais entre as pontas, ou a Torre de Homenagem
  • Júlio César celebrou pazes com a Lusitânia → Pax Júlia → mouros “Baju” → Beja; privilegiada com imunidades de colónia romana e convento jurídico
  • Nota de Fr. Francisco de Oliveira (margem): fundação dos celtas; possuída pelos cartagineses; romanos; Pax Júlia (colónia, cidadãos romanos); Octaviano acrescentou Augusta fazendo-a convento jurídico; Cláudio Tibério confirmou privilégios; estátuas a Tibério, Flávio Vespasiano e Aurélio Cómodo. Das 11 inscrições que André de Resende viu em 1573, só 3 restavam (na praça, na porta de Mértola, na rua do Esquível) — ver Pax Iulia — Roma em Beja

2.2 As “estradas encubertas” (vestígios romanos subterrâneos)

Estruturas subterrâneas que cruzam a cidade — o pároco hesita entre “estradas encobertas” e “condutos de água”:

  • Atravessam a rua de Aljustrel, junto às casas de José Pereira Botelho
  • Sob as casas do P. Domingos dos Santos Pereira (junto a S. João)
  • Da rua do Touro para sul, saindo sob o Convento de S. Francisco
  • Da rua do Touro → rua da Infanta → rua da Cadea Velha (freguesia de Santa Maria)
  • Junto à Igreja de Nossa Senhora do Pé da Cruz (fora dos muros): paredes de pedra miúda em cal rija, vão de ~3 palmos
  • Fr. Francisco de Oliveira: são aquedutos; e “repartições de canos nas Alcaçarias” (= palácios de mouros)
  • Interpretação de Marta Páscoa: eixos da centuriação romana (cardines e decumani) e/ou rede de cloacas/esgotos de Pax Iulia. Abel Viana confirmou (1942) ter levado para o museu fragmentos da galeria de esgoto romana junto ao Pé da Cruz — ver Abastecimento de Água

2.3 Reconquista cristã

  • Recuperada em 765 por El Rei D. Fruela (de Omar, rei de Córdova); restaurada em 914 por D. Ordonho; por D. Fernando o Magno em 1038
  • Definitiva: Gonçalo Mendes da Maia, fronteiro-mor, no dia do apóstolo S. André (30 Nov 1162), vencendo os mouros a um tiro de mosquete dos muros → Ermida de S. André (fora dos muros, caminho do Convento de Santa Clara) comemora o feito; procissão solene anual com clero das 4 paróquias e senado da câmara
  • Infante D. Sancho (filho de D. Afonso Henriques), voltando de Sevilha, socorre Beja e vence os mouros na estrada de Serpa → “pedra da vitória” (na freguesia de S. João)

2.4 Muralhas, torres e Torre de Homenagem

  • Forma orbicular; muros de pedra e cal sobre rocha ferrenha; ~10 palmos de largura, ~30 de altura
  • 39 torres (faltavam 3 ou 4); cantos de mármore branco lavrado; as maiores ladeiam a Porta de Mértola (“as duas irmãs”); contramuro
  • Obra atribuída a D. Afonso III (Conde de Bolonha), terminada por D. Dinis
  • Torre de Homenagem: forma quadrada, 4 cantos de mármore branco aos 4 ventos, varanda de mármore a meio, ameias e janelas — “huã das celebres da Europa”
  • 1659: trabalhos de fortificação com 4 baluartes angulares, fosso e contraescarpa (ver Muralhas de Beja)

2.5 As sete portas da cidade

PortaPosiçãoNotas
Porta de MértolaSulDivide S. João do Salvador; lápide de D. João IV (Aeternitati Sal. Conceptioni Mariae Rª); Ermida de Nossa Senhora dos Anjos sobre o arco
Porta de ÉvoraNorte
Porta de AljustrelPoenteInscrição “A Virgem Maria foi concebida sem peccado anno de 1619”; painel pintado com N.ª Sra. da Piedade, Sta. Catarina e S. Sisenando
Porta de MouraNascenteSubida íngreme
Porta de AvisNoroesteSubida íngreme
Porta dos PrazeresPoenteDivide S. João de Santiago
Porta Nova / de S. SisenandoEntre Mértola e Moura
(buraco no muro)junto a S. JoãoAberto quando os Jesuítas começaram a fundar casa nesta freguesia (Fr. F. Oliveira: 1671)

2.6 Administração civil e eclesiástica

  • Senhor da cidade: Infante D. Francisco (cabeça do Infantado); nomeia ouvidor, juiz de fora do geral e dos órfãos
  • Cabeça de comarca (provedoria): Moura, Portel, Vidigueira, Vila de Frades, Oriola, Albergaria de Fusos, Vila Alva, Água de Peixes, Vila Nova, Alvito, Ferreira, Serpa; corregedor de Beringel e Faro do Alentejo; Odemira
  • 4 freguesias: Santa Maria, Salvador, S. João Baptista, Santiago Maior
  • Governador (último: António Pereira de Lacerda; cargo vago); 3 companhias de cavalos aquarteladas
  • Misericórdia e hospital (obra de D. Manuel; já existia em 1515 / 1552); Monte de Piedade (regimento de Filipe II, 1584)

2.7 A Praça (hoje Praça da República)

  • Metade na freguesia de S. João; mais comprida que larga; arcos “à imitação do rocio de Lisboa” (venda de fruta e hortaliça)
  • D. Manuel mandou demolir a Rua dos Mercadores para a abrir
  • Casa onde se pagava a siza (“casa da Tábola”); armas reais com coroa aberta

2.8 A freguesia de S. João Baptista

  • Ocupa a parte ocidental e mais alta da cidade; 620 fogos / 2.561 almas (a mais populosa)
  • Divide-se em “S. João de dentro” e “S. João de fora” (intra/extra-muros), com dois capitães de ordenança
  • Ruas: rua do Touro, rua da Infante, rua dos Sembranos

2.9 A Igreja de S. João Baptista (descrição minuciosa) ⭐

  • Igreja matriz, colegiada e paroquial; comenda da Ordem de Cristo (comendador: António Teles de Meneses de Val Formoso); prior + 6 (depois 7) beneficiados do hábito de S. Pedro
  • Uma só nave; pavimento de tijolo e campas; capela-mor de abóbada com arcos “a modo de pernas de aranha”; tecto de madeira apainelado; telhado mourisco; arco do cruzeiro de mármore tosco e antigo
  • Padroeiros: S. João Baptista (titular), Sta. Maria Madalena (menor), S. Brás e S. Nicolau de Bari
  • Altares: altar-mor; S. Brás; Sacramento (confraria do Santíssimo); N.ª Sra. do Ó (confraria com bula); S. Vicente Ferrer (1720, custeado por Agostinho Simões, mercador de roupas inglesas)
  • Imagem de N.ª Sra. da Oliveira (nicho no alpendre; exposta 30 Abril 1728; devoção do Dr. Pedro Xavier Lobo; azeite milagroso para untar enfermos)
  • Alpendre reedificado em 1729; torre dos sinos (2 sinos + “garrida”)

2.10 As relíquias de S. Brás ⭐

Festa de 3 de Fevereiro: concurso universal, igreja armada, missa cantada, 2 sermões; os Franciscanos vêm em procissão beijar as relíquias. Guardadas em cofre de prata, listadas no Tombo da igreja (5 Fev 1533), mandado fazer pelo Cardeal Infante D. Afonso, e validadas em 23 Dez 1552 pelo P. Calisto de Sá. Lista (excertos): queixada de S. Brás; dos 7 mártires de Marrocos; hábito de S. Francisco; leite de Santa Maria; cabelos de Sta. Madalena; ossos de S. Sebastião, S. Bartolomeu, Sta. Escolástica, S. André, S. Pedro e S. Paulo; pó do corpo de S. João Baptista quando o queimaram; relíquias das onze mil virgens; etc. (ver Relíquias de S. Brás de Beja)

2.11 Igrejas filiais, termo e produção

  • 5 igrejas filiais: Sta. Catarina de Quintos, N.ª Sra. da Conceição da Salvada, Sta. Clara de Louredo, Trindade, N.ª Sra. da Luz de Albernoa
  • Termo: 18 (corrigido para 20) freguesias
  • Produção: >10 mil moios de trigo e cevada; vinho generoso, azeite, hortaliças (couves, cardos, alfaces), frutas, caça, mel
  • Convento de S. António (conventinho franciscano junto a S. João): mandado fazer pelo Infante D. Fernando e D. Brites (1471 / 1482), confessores das freiras da Conceição; igreja dedicada a Santo António de Lisboa

2.12 A Feira de Beja

  • Uma das maiores da província; começa 1 de Agosto, franca até dia 16; privilégio de D. Manuel (foral de 6 Jul 1499, confirmado por D. João III em 7 Dez 1525)
  • Isenção de siza (excepto vinho e carne); imunidade de prisão por crimes/dívidas de fora da feira (salvo aleivosia, traição, heresia, sodomia, moeda falsa) — ver Feira de Beja

2.13 O Poço de Aljustrel

  • Dois tiros de mosquete a poente dos muros, na freguesia de S. João; água “preciosa e cristalina”; abastece a maior parte da gente e gado durante a feira (ver Poço de Aljustrel)

2.14 A Fonte do Tanque e a Cavalgada da Manhã do Baptista

  • Fonte do Tanque (junto à estrada de Serpa; chafariz e tanque para cavalos; fertiliza 3 hortas) — ver Fonte do Tanque
  • Na manhã de S. João, o senado da câmara saía com a real bandeira e a nobreza a cavalo até à fonte; distribuía-se “confeitado”, corriam escaramuças, voltavam com canas verdes pelo Convento de Santa Clara (ver Cavalgada da Manhã do Baptista); provisão de D. Pedro (13 Jul 1672); já em decadência no tempo de Nolasco

2.15 Antiguidades dispersas — as cabeças de touro ⭐

  • Duas cabeças de touro esculpidas em mármore nas costas da capela-mor (rua do Touro); outra no frontispício de umas casas; outra no muro antigo
  • Tradição: achadas nas ruínas quando se reedificou a povoação → a rua do Touro teria sido o princípio da fundação ou local de palácio
  • Nota de P. José Inácio de Mira (1859): conta como uma cabeça de touro da rua do Touro foi destruída e lançada na construção de uma parede por Jacinto/Inácio Mota, com a passividade da câmara — testemunho da perda do património

2.16 A inscrição romana de L. Élio Aurélio Cómodo ⭐

Sob as janelas da casa da câmara, em mármore:

L. AELIO AURELIO / COMMODO / IMP. CAES. T. AELI HA/DRIANI ANTONI/NI AUG. PIJ P. P. FILIO / COL. PAX JULIA / D. D. / Q. PETRONIO MATERNO / C. JULIO JULIANO / IIVIR.

Tradução do pároco: “A Colónia Pax Júlia pôs estátua a Lúcio Élio Aurélio Cómodo, imperador, filho de Tito Élio Adriano Antonino Augusto, pio, pai da pátria, por decreto dos decuriões, sendo duúnviros Quinto Petrónio Materno e Caio Júlio Juliano.”

2.17 Famílias nobres da freguesia

Genealogias detalhadas: Bejas (Francisco Domingues de Beja, capela de 1415); Sousa/Sampaio; Alcoforados (rua do Touro; Miguel da Cunha Alcoforado; José da Costa Alcoforado; ligação às freiras da Conceição — incl. D. Mariana Alcoforado, a célebre freira); Pereiras e Lacerdas; Sereijos (rua dos Sembranos); Britos e Castanhedas (descendentes de Diogo Lopes Bocarro, capitão-mor); Aboim Pessanha. Inclui brasões de armas pormenorizados.

2.18 Naturais ilustres

D. Fr. Amador Arraes (bispo de Portalegre); Gil Vaz Lobo (general); Paio Rodrigues Pegas (inquisidor de Évora); S. Sisenando e companheiro S. Elias (mártires em Córdova, 851); vários desembargadores e priores.

2.19 Vida e morte do P. Luís do Monte Soveral

Biografia de P. Luís do Monte Soveral (depois P. Luís de S. José), sacerdote penitente natural de Beja: ecónomo em Santa Maria; congregado da Tomina; ermitão na Serra de Ossa; morte santa em S. Pedro do Paraíso / convento capucho de Vila Viçosa (1712/1716). Sepultado no claustro: “Aqui jaz o P. Luís de S. José clerigo natural da cidade de Beja”.

2.20 Ermida de S. Miguel → Convento do Carmo

  • Ermida de S. Miguel (1495, fundada pelo ermitão Pedro Afonso, “monte dos biguinos”) → Convento do Carmo carmelita calçado (carta de 6 Out 1525 ao Cardeal Infante D. Afonso; posse em 1526); 82 anos no local (Carmo Velho)
  • Mudança para a ermida de Santa Catarina no rócio (1608) → para casas intra-muros (“paços de Simão Freire”, 1610, 20 anos) → regresso ao Carmo Velho (1630, “sem pompa alguma”)
  • Fr. Francisco Soares de Vilhegas (filho de Bernardo Drago): doutor em Bordéus, pregador de Ana de Áustria e Luís XIV, bispo do Cairo († Paris 1664)

2.21 Ermida de Santa Catarina (litígio com os Carmelitas) ⭐

  • No rócio, entre as portas de Aljustrel e Mértola; fundada por Isabel Borges e o marido Diogo Fernandes de Beja (capitão-mor que morreu em Chaul, Índia); capela instituída por testamento (1552); inscrição gótica
  • Conflito jurisdicional: os Carmelitas, com pretexto da festa e missas, apoderaram-se da ermida que pertencia à freguesia. Marta Páscoa demonstra que o pároco Nolasco escreveu este “subcapítulo” como peça de defesa jurídica (baseado nas Memórias Históricas da Ordem do Carmo de Fr. Manuel de Sá). Em 1736 começou a construção da actual igreja do Carmo (1.ª pedra por D. Tomás de Noronha, 16 Jul 1736); litígio continuava em 1758 — ver Ermida de Santa Catarina

3. Anexo: A Memória Paroquial de 1758 (António Pires Serrano)

Resposta de P. António Pires Serrano (sobrinho de Nolasco, também comissário do Santo Ofício) ao inquérito pós-terramoto de 1755 (Beja, 5 Maio 1758). Dados-chave:

  • Fundação atribuída aos “galos celtas”; Pax Julia (pazes de César); árabes 715; D. Afonso Henriques 1155; reconquista 1162; D. Manuel cidade em 1512
  • 700 fogos / 2.110 pessoas; metade intra, metade extra-muros
  • Igreja “de duas naves”; 5 altares; 2 confrarias
  • Litígio com os Carmelitas pela ermida de Santa Catarina (declarado abertamente)
  • Termo dividido pelas ribeiras Terges e Cobres; confina com Aljustrel
  • S. Sisenando, S. Elias e Tiberino — os 3 nobres cidadãos de Beja mártires em Córdova (851); Bula de Clemente VIII (1597); relíquia de meio braço trazida de Córdova
  • No terramoto de 1755 a freguesia “não padeceu ruína memorável”; igreja reedificada (1.ª missa Natal de 1752)

4. Anexo: Excertos de Fr. Francisco de Oliveira

Da obra Memórias para a História da Província do Alentejo (Fundo Vários, AMB) e excerto avulso, sobre a freguesia de S. João Baptista:

  • Igreja já existia em 1300; comenda formada em 1513 (rendia 445 mil réis em 1615)
  • Letreiros e campas (capela do mestre Diogo e Isabel Gomes, 1534; Álvaro Nunes, 1555; Francisco Domingues de Beja, 1415; Mafaldo de Beja, escrivão da Puridade de D. Afonso II, †1229)
  • Última presença na Cavalgada do Baptista: 1739 (com a sua irmã madre Feliciana Eugénia, porteira de Santa Clara)
  • Igreja reedificada após ruína; 1.ª missa Natal de 1752

Enquadramento: os inquéritos da Coroa no séc. XVIII

  • D. João V (década de 1720): primeiras leis de preservação da memória; Academia Real da História pede listas (1721)
  • Inquérito de c. 1732 (Secretaria de Estado) → base do Dicionário Geográfico do P. Luís Cardoso (2 vols., 1747/1751, até à letra C; volume seguinte perdido no terramoto)
  • Inquérito de 1758 (“Memórias Paroquiais”) pós-terramoto
  • Ver Inquéritos Paroquiais do Séc. XVIII

Entidades mencionadas

Pessoas

Locais

Temas


Documentos relacionados


Arquivos / fontes manuscritas citadas

  • AMB — Fundo Mira (n.º 13, cx. 1, o manuscrito); Memórias de Fr. Francisco de Oliveira; Tombo da Comenda; Registo de Provisões e Alvarás
  • ADB — Fundo do Convento do Carmo; Fundos Paroquiais de S. João Baptista
  • BN — Cartas de Fr. Francisco de Oliveira (a D. António Caetano de Sousa; a Fr. Luís de S. Bento)
  • BPE — códs. CIII/2-10 e CIII/2-11
  • IAN/TT — Habilitações do Santo Ofício; Memórias Paroquiais (Beja, S. João Baptista, vol. 6, rolo 299)

Como citar

Referência (APA): Páscoa, Marta Cristina (2002). Relatório das Couzas Notáveis desta Cidade de Beja [transcrição de manuscrito de P. Nolasco Serrano, 1734-35].

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