Historiografia de Beja e a Reivindicação do Bispado
Fio que atravessa toda a escrita histórica sobre Beja entre os séculos XVI e XIX: a maioria das “histórias de Beja” não foi obra de historiadores ou antiquários, mas de homens da governança local (vereadores, juízes, militares) com um objetivo político concreto — a restauração do bispado perdido após a reconquista de 1166.
O argumento
- Beja foi sede de bispado desde o séc. IV (Bispado Visigótico de Beja; 1.º bispo Apríngio de Beja)1
- Após 1166 o bispado não foi restaurado; em 1255 Badajoz apropriou-se do título “Pacense”1
- André de Resende (séc. XVI) provou que Pax Julia era Beja — a “pedra de toque” de todos os pedidos seguintes1
- O bispado foi finalmente recriado em 1770 — mas por uma reforma administrativa, não pelos argumentos históricos1
Os cronistas
Vasco Freire · Jerónimo do Carvalhal Freire · Cristóvão Rebelo de Macedo · Diogo de Gouveia Barradas · Fr. Francisco de Oliveira (o único “antiquário” sem agenda) · Baltazar Vaz Alcoforado · Félix Caetano da Silva e outros1
Fontes
- A História como Base para a Reivindicação Política — o Caso de Beja (Marta Páscoa, 2023)
- Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro)
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