Fuste Paleocristão de Vale de Aguieiro

Fuste de coluna em mármore branco proveniente de Vale de Aguieiro, no concelho de Beja, e conservado no Museu Rainha D. Leonor. A peça foi decorada em todo o perímetro com uma composição cristã de videiras, uvas, aves, um cantharus, duas pombas e uma serpente.1

Decoração e significado

Ramos de videira, gavinhas e cachos de uvas envolvem o fuste. Pequenas aves bicam os frutos. Numa das faces, um cantharus contém uvas e água; por cima, duas pombas atacam uma serpente.

Jorge Feio interpreta a composição como uma imagem do paraíso cristão. As pombas representam a alma, o Espírito Santo ou a comunidade cristã; a serpente simboliza a morte vencida; a videira e as uvas evocam os fiéis e o sangue de Cristo; a água do vaso remete para o baptismo e a fonte da vida.1

Cronologia e função

A comparação com colunas de São Vital de Ravena, mosaicos do Norte de África e um sarcófago da Sé de Braga sustenta uma datação provável entre os finais do século V e os inícios do VI. O relevo foi trabalhado com bisel e revela uma execução tecnicamente cuidada.

A peça terá pertencido a um espaço cristão rural. A possibilidade de ter servido como pé de altar é uma hipótese. Como se desconhecem o ponto exacto da descoberta e o contexto arqueológico original, não é possível determinar a estrutura em que esteve colocada nem a sua função com segurança.

Fontes

Tags

Arqueologia Arte Religião Antiguidade tardia

Notas

  1. Do Mosaico para o Mármore - O Fuste de Vale de Aguieiro (Jorge Feio, 2016) 2