O Misterioso Fecho de Abóbada do Hospital Velho (Leonel Borrela, 2012)
Borrela, L. (2012, 17 de Fevereiro). Iconografia Pacense — O misterioso fecho de abóbada do “Hospital Velho”. Diário do Alentejo, Ano LXXX, n.º 1556.
Conteúdo
Artigo dedicado ao fecho de abóbada figurativo situado no 4.º tramo da nave adossada à muralha na enfermaria gótica do “Hospital Velho” de Beja.
Cronologia do Hospital
Borrela recorda que o hospital foi “fundado por D. Manuel, ainda enquanto duque de Beja, no ano de 1490”, mas que a cronologia pode recuar a 1469, ao primeiro ducado do pai do rei, o infante D. Fernando (com base na tradição e em pormenores construtivos aparentemente mais antigos).
O fecho de abóbada — “Milagre de São Bartolomeu”
- Material: mármore acinzentado de Trigaches/São Brissos; diâmetro máximo: 30 cm
- Localização: 4.º tramo da nave da enfermaria gótica
- Representação (baixo-relevo, duas figuras frontais):
- Esquerda — criança praticamente nua, acorrentada pelo pescoço a uma estaca, pernas movimentadas (com ar de feto ou recém-nascida)
- Direita — homem barbado (maior e mais recuado), segura a estaca com firmeza, ostentando o que parece ser o cabo de uma arma branca
- Interpretação de Borrela: “o milagre de São Bartolomeu” — o apóstolo a aprisionar o demónio
Outros fechos da enfermaria
- Decoração geométrica, vegetalista e heráldica
- Cruz: crucifixo com pedestal ou cruz simples da Ordem de Cristo
- Vaso/árvore: fonte da vida + árvore da vida (motivos recorrentes em Beja)
- Cinco pombas — similar ao da abóbada estrelada oitavada da sala regral do Convento de S. Francisco (actual pousada)
- Lua cheia — símbolo do silêncio e recato hospitalar
Nota de contexto
O DA desta edição (17 Fev 2012) noticiava o risco de encerramento do Museu Regional de Beja por falta de verbas, com o director a afirmar que o espólio era mais valioso que a colecção Berardo.