À volta do Palácio dos Infantes (Leonel Borrela, 2009)

Borrela, L. (2009, 13 de Fevereiro). À volta do Palácio dos Infantes. Diário do Alentejo, n.º 1399. (Série Iconografia Pacense.)

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Artigo baseado em duas fotografias: uma de 1894 (230×172 mm, colada sobre cartão) — tirada um ano antes da demolição total do Paço — e outra de 1959 com a mesma área ocupada pelo primeiro Mercado Público de Beja (existente do final do séc. XIX ao início dos anos 1960).

O Paço dos Infantes D. Fernando e D. Beatriz

Edifício volumoso, com vários corpos diferenciados, abrangendo estilos gótico, mudéjar e renascença. Pertencia aos primeiros duques de Beja — pais de D. Manuel I e de D. Leonor (esposa de D. João II). Em 1459, ao lado do Paço, os Infantes fundaram o Convento da Conceição (Ordem de Santa Clara).

Demolições e dispersão dos elementos (1893-1895)

As demolições foram totais para o Paço e parciais para o Convento entre 1893 e 1895:

  • Janelas mudéjares (últimas do piso superior, geminadas, arcos de ferradura) → incorporadas na frontaria da futura Sé instalada nos restos do Convento da Conceição (obras interrompidas em 1906 com a morte do bispo D. António Xavier de Sousa Monteiro) → constituem hoje o alçado principal do Museu Regional de Beja

  • Portal renascença (não visível na foto 1894): elementos de mármore dispersos pela cidade:

    • Vão do balcão com escadaria exterior (já removida) da antiga casa da câmara (defronte do Largo de Santa Maria)
    • Postigo dos Prazeres
    • Pedras aparelhadas da longa cornija (provenientes do local onde ardeu a grande loja de José Cândido de Aires Gomes, actual edifício do Banco de Portugal) → davam entrada no Museu (cf. Diário do Alentejo, 8/6/1943)
  • Torre sineira: elementos marmóreos retirados (1893-1895) e aplicados no pátio do claustro do Convento/Museu

  • Brasão singular de D. Manuel I (escudetes dispostos em aspa + caules cruzados de flores-de-lis — símbolo da Ordem de Avis, abolida do escudo real por D. João II): mudou de posição e está agora orientado para o Largo da Conceição e não para o Largo dos Duques (onde se fazia o mercado antigo)

  • Cata-vento de ferro forjado (figura de um anjo): oferecido “de novo” ao convento/museu por Marcos Bentes em 1941; Borrela julga que é o mesmo que se encontra actualmente no cimo da torre do relógio da Igreja de Santa Maria da Feira

Fachada do Convento visível na foto de 1894

  • Portal gótico flamejante integrado num alfiz, brasonado pelos duques de Beja
  • Platibanda gótico-manuelina, brasonada por D. Manuel (4.º Duque de Beja e príncipe herdeiro, entre 1491 e 1495)

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