Caldas da Rainha de Beja (Bruno Ferreira, O Atual, 04-02-2024)
Artigo de divulgação histórica sobre Rainha D. Leonor (1458–1525), nascida em Beja, e a sua ligação indissociável a Caldas da Rainha. O argumento central: a cidade de Caldas da Rainha deve o nome e a existência à rainha bejense, que deveria ser mais celebrada na cidade natal. O artigo defende a geminação Beja–Caldas da Rainha.
Principais dados históricos
D. Leonor (Beja, 2 de Maio de 1458 – 1525)
- Filha da Infanta D. Beatriz e do infante D. Fernando (1.os duques de Beja); irmã mais velha de D. Manuel I.
- Ascendeu ao trono em 1481 pelo casamento com D. João II (o Príncipe Perfeito), primo seu.
- Apelidos: “Princesa Perfeitíssima” e “pelicano real” (por tirar do próprio peito para dar aos pobres).
Fundação das Caldas da Rainha (1484–1485): Lenda: em 1484, a caminho do Mosteiro da Batalha para as cerimónias fúnebres de D. Afonso V, a rainha encontrou populares a banhar-se em poças de água de odor intenso com propriedades curativas. No ano seguinte mandou erguer um hospital termal gratuito para pobres — possivelmente o primeiro Hospital Termal do mundo. Fundou uma pequena povoação de 30 moradores (com isenção fiscal) em torno do hospital: as Caldas de Óbidos. Com a morte de D. João II (1495) e a subida ao trono do irmão D. Manuel I, o foral de vila foi atribuído em 1512, ficando “Caldas da Rainha”.1
Fundação das Misericórdias (15 de Agosto de 1498): D. Leonor — já viúva do Príncipe Perfeito — criou a Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia, na Sé de Lisboa; nasceu assim a primeira das Misericórdias portuguesas, que se tornaram a espinha dorsal do “terceiro sector” social português.1
Mecenato:
- Introdução da tipografia em Portugal (patrocinou a Vita Christi, séc. XV)
- Protecção de Gil Vicente (partilhada com a filha D. Leonor, a Rainha Velha)
- Fundou conventos e hospitais
Estátuas de D. Leonor em Beja e Caldas:
- Beja: estátua de Álvaro de Brée, inaugurada em 1958, em frente ao Museu Rainha D. Leonor
- Caldas da Rainha: estátua de Francisco Franco, inaugurada em 1935
Fontes citadas no artigo: Conde de Sabugosa, A Rainha D. Leonor (Livraria Sam Carlos, Lisboa); Isabel dos Guimarães Sá, De Princesa a Rainha-velha, Leonor de Lencastre (Círculo de Leitores); Ivo Carneiro de Sousa, A Rainha D. Leonor (1458–1525) (Fundação Calouste Gulbenkian, FCT, 2002).
Como citar
Ferreira, B. (2024, 4 de Fevereiro). Caldas da Rainha de Beja. O Atual — Informação de Verdade. https://oatual.pt [artigo de divulgação]
Fontes relacionadas
- Rainha D. Leonor — o personagem
- Infanta D. Beatriz — mãe de D. Leonor
- Museu Rainha D. Leonor — museu com o seu nome em Beja
- Convento da Conceição — fundado pelos seus pais, onde D. Brites está sepultada