Um Tríptico Flamengo que Existiu em Beja (Leonel Borrela)

Artigo de Leonel Borrela (Diário do Alentejo, 21 de Março de 2008) sobre o Tríptico Flamengo de Beja — uma pintura excepcional desaparecida da cidade.

A peça e o seu destino

  • Pintura a óleo sobre madeira, três painéis articulados (tríptico móvel); tema central a Crucificação de Cristo, com os encomendadores quinhentistas retratados nas abas laterais (que fechavam sobre o painel central);
  • Pertenceu ao dr. Garcia Pulido, proprietário do palacete do Jardim do Bacalhau (casa onde, após o 25 de Abril de 1974, funcionaram a sede dos sindicatos e a cooperativa “Proletário Alentejano”) — que albergava uma das melhores colecções de arte da cidade;
  • Com a Revolução dos Cravos, os proprietários terão transportado e resguardado o tríptico em Lisboa; daí, perdeu-se-lhe o rasto.
  • Estava arrolado e fotografado por Abel Viana no Arquivo de Beja.

Análise

Borrela considera-o superior a tudo o que o Museu Regional possui (de pintura flamenga e primitivos portugueses), aproximando-se-lhe só a Virgem do Leite (também óleo sobre madeira, parte superior recortada). A paisagem plana e os edifícios austeros do tríptico anunciam uma “ponte” entre a composição latina do Renascimento e a contenção da arte flamenga. Desconhece-se o autor e se proveio de algum monumento religioso desactivado/demolido em Beja durante o liberalismo. “Esperamos que nunca tenha saído de Portugal.”

Entidades mencionadas

Leonel Borrela · Tríptico Flamengo de Beja · Garcia Pulido · Praça Diogo Fernandes · Abel Viana · Museu Rainha D. Leonor

Documentos relacionados

  • Iconografia Pacense — Índice das Edições (Leonel Borrela)

Como citar

Referência (APA): Borrela, Leonel (2008). Um Tríptico Flamengo que Existiu em Beja. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).

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