Templo Romano de Pax Iulia (Templo de Augusto)
Zona do Logradouro do Conservatório Regional do Baixo Alentejo / Reservatório de Água. O local albergou sucessivamente três edifícios de culto, sobrepostos, mais um baptistério paleocristão.
Fase 1 - Templo da Idade do Ferro (séc. V-IV a.C.)
Edifício religioso orientado NE/SO (15,30×18,3m) em gabro e diorito, com cabeceira tripartida. Usado com manutenções até ao início do séc. I a.C. Ver Logradouro do Conservatório Regional do Baixo Alentejo.1
Fase 2 - Templo cesariano (61-45 a.C.)
Articulação com o equipamento hidráulico monumental (tanque de 163m³) erigido no recinto sagrado ancestral; pedestal da estátua monumental de Júlio César.21
Fase 3 - Templo augustano (25-15 a.C.)
20,3m × 13,9m; cella tripartida; orientação NE/SO (mesma do templo ancestral); fundações conservadas em 3,75m. Desfuncionalizou o complexo de tanques cesarianos. Basílica no lado oposto do fórum.1
Fase 4 - Templo tibérico de culto imperial (após 14 d.C.)
Reorientação NO/SE; 32,40m × 16,20m (dimensões próximas do de Emerita Augusta); paredes de 2,5m em pedra miúda e forte argamassa (cofragem); tipologia Templa Rostrata (acesso não por escadaria frontal); tanque de opus signinum em três lados (4m × 4,75m × 0,90m de profundidade) para enquadramento escultórico da família imperial.1
- A “forte muralha rectangular” / poderoso alicerce de Abel Viana (1942, opus incertum) corresponde a este conjunto3
- Elementos hoje visíveis: capitel monumental compósito no Museu Rainha D. Leonor; paredes e coluna na cave do restaurante “Os Infantes” (Rua dos Infantes)1
Fase 5 - Baptistério paleocristão
Construído em frente ao templo do culto imperial. Segundo a interpretação de M. Conceição Lopes, o espaço sagrado manteve-se intacto como sede do poder episcopal.1 O relatório de acompanhamento de 2025 questiona a demonstração da função, da cronologia e da ligação a Apríngio de Beja, sem apresentar uma identificação alternativa confirmada.4
Estrutura aparentemente anterior ao templo tiberiano
No acompanhamento de 2023-2024, Filipe J. C. Santos assinalou uma estrutura com cerca de 7 m de comprimento e até 2 m de largura máxima preservada, aparentemente anterior à construção do templo tiberiano. A sua cronologia e função permanecem indeterminadas.4
Ver Urbanismo Romano de Pax Iulia.
Fontes
- O Busto de Júlio César de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2018)
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes)
- Pax Iulia - A Cidade Romana de Beja em Período Romano-Republicano (M. Conceição Lopes, 2024)
- Valorização do Fórum Romano de Beja - Relatório Final (Filipe J. C. Santos, 2025)