Convento de S. Francisco

Convento franciscano fundado em 1268 por Lopo Esteves e Diogo Fernandes Esteves, com esmola testamentária de D. Afonso III (testamento de 1271).1 Situado fora da Porta de Mértola.

Arquitectura estratificada

Três fases construtivas identificáveis: (1) igreja gótica original (transepto, abside polifacetada, arcaria ogival do claustro, porta regral); (2) igreja manuelina (abóbadas do claustro e refeitório com fechos heráldicos — dos melhores repositórios ornamentais e heráldicos bejenses, a par da Conceição e Hospital Velho); (3) igreja maneirista actual, concluída em 1723, com portaria de três vãos.2

A capela dos túmulos (impropriamente chamada de S. Luís de Tolosa) é repositório de siglário tardo-medieval dos sécs. XIV–XV — siglas de confrarias de obreiros medievais no aparelho de mármore exterior, hoje rebocado.2

Arqueologia

Escavações de emergência 1993–94 (Museu Regional + IPPAR): necrópole romana de incineração do séc. I e estruturas de pequena capela na sala capitular.2

Vicissitudes entre a extinção e a pousada (1834-1994)3

A capela dos túmulos — “uma das mais belas do Alentejo” (Mário Tavares Chicó, 1905-1966, natural de Beja) — serviu de palheiro e barbearia; as arcas tumulares despojadas foram usadas como bebedouro para cavalos. A nave da igreja foi dividida horizontalmente com betão armado (piso inferior = cantina militar; piso superior = ginásio com basquetebol). O refeitório (melhor abóbada de cruzaria nervurada manuelino da cidade) serviu de garagem.

Obras de reabilitação (1992-1994): investimento de >1 milhão de contos (>5 milhões de euros). Descobertos durante as obras, a pedido de Borrela:

  • Fecho de abóbada gótico (8 nervuras, ainda pintado, ornamentação floral) — exposto na capela dos túmulos
  • Pedra com estrela de David + flores — possivelmente destinada ao exterior de um braço de transepto

Cronologia

  • 10 Nov 1268 — fundação por Lopo Esteves, Diogo Fernandes e Vasco Martins; terrenos de Paio Pires23
  • 1271 — D. Afonso III lega esmola em testamento1
  • 1272 — integração na Província dos Algarves4
  • 1279 — D. Afonso [III] lega 50 libras ao convento4
  • 1302D. Dinis funda capela de S. Luís na sequência do milagre do urso em S. Pedro de Pomares (Baleizão)34
  • Séc. XVJoão Freire de Andrade (neto do Mestre de Aviz) institui panteão familiar na capela (Sala dos Túmulos)4
  • até c. 1525 — jurisdição franciscana sobre todos os conventos bejenses subsequentes2
  • 1541 — fundação do último convento sob jurisdição franciscana (Convento da Esperança)2
  • 1694/1726 — substituição da antiga igreja; nova de nave única concluída em 172324
  • 28 Mai 1834 — extinção; convertido em quartel (coro alto) + Teatro (refeitório)1
  • 1834/1846 — túmulos, escudos e leões retirados; três arcas transformadas em bebedouros4
  • 1850 — adaptação a quartel (Regimento de Infantaria n.º 7)4
  • 1852 — secularização formal2
  • 1992–1994 — obras de adaptação a pousada; arquitecto António Lino; jardins de Gonçalo Ribeiro Telles4
  • 1993 — cemitério quinhentista encontrado no claustro durante as obras4
  • 1994 — abertura da Pousada de São Francisco (Enatur)23
  • 1995 — necrópole romana descoberta no convento4

Fontes

Tags

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Footnotes

  1. Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro) 2 3

  2. O Convento de S. Francisco de Beja (Leonel Borrela, 1995) 2 3 4 5 6 7 8 9

  3. Do Convento de São Francisco de Beja I–II (Leonel Borrela, 2007 e 2001) 2 3 4 5

  4. Convento de São Francisco (Isabel Mendonça, 1993) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11