A Igreja de S. João Baptista (Leonel Borrela)

Série de artigos de Leonel Borrela sobre a desaparecida Igreja de S. João Baptista — um dos principais templos de Beja, demolido em 1919/20. Reconstitui a sua história e arquitectura (a partir do Relatório de Nolasco Serrano) e enquadra a demolição no contexto republicano.

🏚️ Borrela sublinha que, a ter sobrevivido, seria hoje “um dos principais templos pacenses, senão o principal” — um dos maiores monumentos perdidos de Beja.


A demolição (1919/20) e o seu contexto

  • Demolida quando “não havia património histórico-arquitectónico para defender”: das dezenas de monumentos de Beja, restaram apenas dezanove (a maioria maltratados); a era do camartelo
  • Contexto anticlerical e político: a extinção das casas monásticas (1834), a desamortização dos bens eclesiásticos, e o desprezo republicano pelos símbolos do antigo poder
  • A demolição inscreve-se na vaga que abriu a cidade: o mercado municipal no Largo dos Duques (após demolir o Paço dos Infantes), o Teatro Pax-Júlia (após demolir o Hospício de Santo António) — a abside de S. João, entre o teatro e o “Clube dos Ricos”, foi vista como “uma afronta”

A hipótese do templo romano

Borrela discute o reaproveitamento secular de edifícios antigos (o templo romano de Évora, a mesquita-matriz de Mértola, a anta-capela de Pavia) para sugerir que a igreja de S. João Baptista poderá ter assentado sobre / aproveitado um templo romano — coerente com as cabeças de touro romanas que tinha embutidas e a sua antiguidade “tosca”.

A arquitectura (síntese)

Abóbada nervurada e estrelada na capela-mor; arco do cruzeiro de mármore tosco e antigo; tecto de madeira apainelado (c. 1680); torre sineira à direita da fachada com alpendre abobadado de 1719; vários altares dourados (S. Brás, Santíssimo Sacramento, N.ª Sra. das Candeias, S. Vicente Ferrer, N.ª Sra. do Ó); imagem de N.ª Sra. da Oliveira; quadro do Baptista. (Detalhe na nota Igreja de S. João Baptista.)


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Como citar

Referência (APA): Borrela, Leonel (1995). A Igreja de S. João Baptista. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).

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