Fr. Francisco de Oliveira

Dominicano (Ordem dos Pregadores), erudito e autodidacta bejense do século XVIII. Nasceu em Beja a 19 de Junho de 1707 (baptizado Francisco José de Oliveira na freguesia de Santa Maria); professou na Ordem em Elvas (1726), com estudos no convento da Batalha. De família originária de Lagos / Cuba / Beja (pai Pedro Dias de Oliveira, familiar do Santo Ofício; mãe Maria Baiôa Toscana, falecida na Rua do Poço Novo de Beja). Dedicou parte da vida ao estudo da História e das “Antiguidades” de Beja e das 18 vilas da sua comarca; escreveu muito (Memórias para a História da Província do Alentejo), mas nada publicou. Contemporâneo do P. Pedro Pires Nolasco Serrano. Manuscritos estudados por Marta Páscoa na sua tese de mestrado (Fr. Francisco de Oliveira — A escrita da História Regional e Local no século XVIII, FLUL, 2002).

Contributos

  • Leu o Tombo mandado fazer por D. Manuel I (original desaparecido) e transcreveu informação sobre fontes, poços e chafarizes — única fonte para muitos desses equipamentos
  • Anotou e corrigiu durante ~30 anos o Relatorio de Nolasco Serrano (correcções datáveis até 1765); teve o manuscrito em seu poder até à morte (1766)
  • Criticou o método de compilação acrítica do P. Luís Cardoso (Dicionário Geográfico)
  • Foi quem reinterpretou as “estradas encubertas” de Nolasco como aquedutos

Distingue-se dos restantes cronistas de Beja por ser o único verdadeiro “antiquário” — interessado na História por si própria (à maneira de André de Resende) e sem agenda política de restauração do bispado.

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