Praça da República (Beja)

Praça central de Beja (a “praça” das fontes antigas), no ponto mais alto da cidade. Metade ocidental pertencia à freguesia de S. João Baptista, metade à de Santiago.

História (1734)

  • Mais comprida que larga; arcos “à imitação do rócio de Lisboa”, onde se vendia fruta e hortaliça
  • Atribuída a D. Manuel, que para a abrir mandou demolir a antiga Rua dos Mercadores
  • Casa onde se pagava a siza (“casa da Tábola”, no canto sul), com as armas reais de coroa aberta
  • Sob as janelas da casa da câmara estava embutida a inscrição romana de L. Élio Aurélio Cómodo (Inscrição de Lúcio Vero (IRCP 291)) — a homenagem da colónia ao futuro imperador Lúcio Vero
  • Aqui se via também uma das cabeças de touro das armas da cidade

Edifício camarário (séc. XVII–1876)1

A Câmara Municipal de Beja ocupou um edifício maneirista na Praça Nova (entre Rua de Mestre Manuel e Rua dos Sete Cotovelos) desde possivelmente a 1.ª metade do séc. XVII até à sua demolição a 8 Out 1876. Único registo: desenho de Rosa Junior (c. 1890) que mostra o edifício e as arcadas da fachada NE. Antes disso, a câmara funcionava na Praça de Santa Maria da Feira — ainda em 1521.

Arqueologia (intervenções POLIS)

No início do séc. XXI, as obras de remodelação (Programa POLIS) foram alvo de acompanhamento arqueológico por Maria Adelaide Pinto (apesar da crítica de M. Conceição Lopes à falta de investigação integrada). Revelaram a ocupação multi-período do coração da cidade:

  • Romano: um forte embasamento (negativos de grandes lajes) e parte de um pavimento de opus signinum com tesselas — coerente com a zona do fórum de Pax Iulia2
  • Idade do Ferro: duas estruturas de pedra seca (E/W, blocos dioríticos)2
  • Islâmico: níveis com predominância de materiais islâmicos2
  • Moderno: vários pavimentos sequenciais, com origem provável no Terreiro / Praça Nova de D. Manuel I; orifícios dos arcos das feiras; alicerce do provável chafariz manuelino2 — construído por D. Manuel com banhos e chafariz alimentados pela água subterrânea captada por poço de época romana ou anterior (a praça recebeu arcadas apenas no lado nascente)3

I República (1910-1926)

O edifício camarário foi o centro da vida política da cidade durante toda a I República. Albergava, além da câmara, o tribunal judicial e as conservatórias dos registos civil e predial; até aos anos 1920 também a biblioteca e o museu municipal.4

Momentos marcantes na praça:

  • 5 de outubro de 1910 (tarde) — concentração festejando a proclamação da República4
  • 10 de outubro de 1910 — praça rebaptizada «Praça da República» (ex-Praça D. Manuel I)4
  • 14 de janeiro de 1912 — manifestação para comemorar a laicização do Estado4
  • Fevereiro de 1918 — recepção a Sidónio Pais4
  • 11 de novembro de 1918 — comemoração do armistício, no final da I Grande Guerra4

No largo funcionavam ainda: estabelecimentos comerciais (alfaiatarias, farmácia, barbearia), a cadeia civil, escritórios de advogados, a Associação Comercial Bejense e o liceu. O jornal O Bejense (órgão do Partido Unionista) tinha aqui a sua sede.4

Fontes

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Footnotes

  1. Os Edifícios Camarários da Praça Nova (Leonel Borrela, 1997)

  2. A Civitas de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2007) 2 3 4

  3. Forum e Dinâmicas Urbanas da Colónia de Pax Iulia (M. Conceição Lopes, 2025)

  4. Beja Republicana — Um Roteiro Republicano da Cidade (Carlos Lopes Pereira, 2020) 2 3 4 5 6 7