Jorge Feio

Arqueólogo da Câmara Municipal de Beja e historiador da arte da Antiguidade. Autor da dissertação de mestrado Marcas Arquitectónico-Artísticas da Cristianização do Território entre Évora e Beja (FCSH-UNL, 2010), estudo do paleocristianismo e da Antiguidade Tardia no território do Conventus Pacensis.1 Co-responsável (com A. M. Dias Diogo) pela Carta Arqueológica do concelho de Alvito.1

Como arqueólogo municipal, dirigiu o acompanhamento arqueológico das obras da EMAS na cidade (2023-2025), pilar da actual Arqueologia Urbana de Beja.2

Em Maio e Junho de 2014, coordenou a escavação arqueológica de emergência da necrópole da Antiguidade Tardia do Monte da Robala. Publicou depois, com José D’Encarnação, as inscrições de Bardasco e Redento gravadas na mesma tampa de sarcófago.3

Nos princípios de Junho do mesmo ano, identificou na Quinta da Mangiralda a CIL II 49, indicada por Jorge Paixão. O reencontro confirmou a autenticidade da transcrição de André de Resende e documentou um flâmine de Tibério em Pax Iulia.4

Em 2016 publicou também a Possível Cupa Inacabada de Porto de Peles, interpretação de um bloco anepígrafo que poderá documentar uma fase intermédia do trabalho nas oficinas lapidárias da região.5

No mesmo ano estudou a Cupa Anepígrafa do Monte dos Pombais e registou o contexto arqueológico comunicado por Afonso Ferreira Lima Raposo, distinguindo o local do achado da mancha de ocupação próxima Monte dos Pombais 2.6

Também em 2016 publicou um estudo sobre representações do paraíso cristão em suporte pétreo, incluindo o Fuste Paleocristão de Vale de Aguieiro. Datou provavelmente a peça dos finais do século V ou inícios do VI e propôs, com reserva, que pudesse ter servido como pé de altar.7

Em 2019 publicou, com José D’Encarnação, a Cupa de Vero, identificada na Herdade do Paço do Conde, em Baleizão. O estudo distinguiu-a de outra cupa proveniente da mesma herdade e conservada no Museu de Évora.8

Em 2021 publicou as inscrições 764-766 do Monte do Olival dos Frades, também em Baleizão: uma ara funerária com texto ilegível, uma base de coluna epigrafada e uma base de ara ou cipo.9

No mesmo ano publicou a Ara Romana do Monte da Atouguia, monumento anepígrafo de Baleizão identificado por arqueólogos da EDIA em 2012.10

Em 2022 deu a conhecer a FE 809 e a FE 810, encontradas reutilizadas num armazém do Monte da Fuzeira, em São Matias. Interpretou a primeira, com reservas, como possível monumento inacabado e atribuiu a segunda aos séculos II-III por comparação tipológica.11

No mesmo ano publicou o dolium FE 813, encontrado na villa do Monte do Montinho. Leu o numeral CCLXV e propôs, com cautela, que indicasse uma capacidade de 265 congii, cerca de 922,2 litros.12

Em 2023 publicou a ara FE 848, proveniente da Torre da Cardeira, em Baleizão. Interpretou como provável a sua reutilização como suporte de altar cristão durante a Antiguidade Tardia e registou, numa adenda, o percurso da peça até à Horta do Cano.13

Também em 2023 reconstituiu o desaparecido Epitáfio de Tiberino, presbítero moçárabe falecido em 855. Propôs a correcção da era transmitida, enquadrou Tiberino como confessor da fé e relacionou o monumento com a continuidade do culto cristão na área de Santa Maria durante o século IX.14

Publicou ainda a placa funerária FE 863, identificada na barbacã nordeste do Castelo de Beja. Datou-a provavelmente da segunda metade do século I e manteve em aberto as leituras Tertius, Tertia ou Terti para a sequência onomástica conservada.15

Ainda em 2023 publicou o tijolo FE 867, encontrado no Monte Estrela 3, em Baleizão. Interpretou os sulcos como um possível monograma cristão em crux decussata, talvez do século IV ou dos inícios do V; a nota editorial de José D’Encarnação mantém aberta a alternativa de uma marca de oleiro.16

Em 2026 publicou, com Ricardo Campos, a árula FE 950. O estudo documentou o voto de Marco Ágrio Macrino a Júpiter e distinguiu o achado moderno na Rua Cidade de São Paulo da provável proveniência original em Pax Iulia.17

Em 2025 publicou, com Carlos Maneira e Costa, o estudo do edifício absidado do Monte do Arcediago, do seu conjunto arquitectónico disperso e da possível interpretação como monasterium dos séculos V-VI.18

Aparece em

Autor de

Tags

Arqueologia

Notas

  1. Marcas Arquitectónico-Artísticas da Cristianização do Território entre Évora e Beja (Jorge Feio) 2

  2. O Acompanhamento Arqueológico das Obras da EMAS de Beja (Jorge Feio, 2026)

  3. Duas Inscrições Funerárias Paleocristãs de Nossa Senhora das Neves (D’Encarnação e Feio, 2016)

  4. Um Flâmine de Tibério em Pax Iulia (D’Encarnação e Feio, 2014)

  5. Uma Possível Cupa em Neves (Jorge Feio, 2016)

  6. Cupa Anepígrafa do Monte dos Pombais (Jorge Feio, 2016)

  7. Do Mosaico para o Mármore - O Fuste de Vale de Aguieiro (Jorge Feio, 2016)

  8. Cupa da Herdade do Passo do Conde (D’Encarnação e Feio, 2019)

  9. Epígrafes do Monte do Olival dos Frades (Jorge Feio, 2021)

  10. Ara Romana do Monte da Atouguia (Jorge Feio, 2021)

  11. Duas Cupae do Monte da Fuzeira (Jorge Feio, 2022)

  12. Fragmento de Dolium com Inscrição do Monte do Montinho (Jorge Feio, 2022)

  13. Ara Anepígrafa da Torre da Cardeira (Jorge Feio, 2023)

  14. Epitáfio de Tiberino, Presbítero Moçárabe de Beja (Jorge Feio, 2023)

  15. Inscrição Funerária do Castelo de Beja (Jorge Feio, 2023)

  16. Possível Monograma em Forma de Crux Decussata do Monte Estrela 3 (Jorge Feio, 2023)

  17. Árula a Júpiter de Beja (Campos e Feio, 2026)

  18. Monte do Arcediago - Um Possível Monasterium (Feio e Costa, 2025)