Igreja de Santa Maria da Feira
Uma das 4 igrejas paroquiais de Beja e o templo mais antigo da cidade.1 Origem na ocupação visigótica (lápide do presbítero Severo, pedra sepulcral de bispo visigótico).2 Terá servido de mesquita na ocupação árabe (torre sineira à ilharga, à maneira das almenas).2 Adaptada a igreja após a Reconquista (já funcionava em 1255); doada à Ordem de Avis (1270); sede da Misericórdia da Rainha D. Leonor (1500–1550).1 Destruída pelo terramoto de 1755 e reconstruída em finais do séc. XVIII.1
Arquitectura
Três naves, quatro tramos, capelas laterais, ábside, nartex e torre sineira — “corpos diferenciados no estilo, na época da sua feitura e na volumetria”.3 Com a Igreja de S. Tiago e a Igreja de Santo Amaro forma o núcleo dos edifícios de planta basilical da cidade; “o monumento pacense mais curioso pelo seu hibridismo”.3 Alpendre manuelino-mudéjar.1
Ábside: seis contrafortes escalonados; abóbada nervurada ruiu na 2.ª metade do séc. XVIII (possivelmente no terramoto); cinco janelas geminadas entre contrafortes.3
Recheio notável: Árvore de Jessé (talha policromada e dourada, séc. XVII — “uma das obras-primas da cidade”); Ceia de Cristo de Pedro Alexandrino de Carvalho (1794); pintura trompe l’oeil parcialmente oculta pelo altar de N.ª Sra. das Dores; baptistério com pintura de 1722.3
Torres geminadas: a torre camarária teve o 1.º relógio por iniciativa de D. Manuel I, substituído em 1761; o sino mais antigo (séc. XV, carácteres góticos) é “obra de extrema raridade”.3
Retábulos e arte interior
O interior de 3 naves à mesma altura (salão maneirista, seguindo o modelo da Igreja de Santo Antão de Évora) possui retábulos notáveis:4
- Altar do Rosário (1677–1681): barroco de estilo nacional com Árvore de Jessé de enormes proporções; talha segundo debuxos de Manuel João da Fonseca.
- Altar de São Miguel Arcanjo: barroco em talha polícrома; decoração pintórica apenas nas zonas visíveis da nave.
- Capelinha do Santíssimo: tela de Pedro Alexandrino de Carvalho representando a Última Ceia.
- Altar de Santo António: rococó (1760).
- Altar de Jesus / das Dores: rococó (c. 1770).
Em 1922, a antiga Capelinha de Nossa Senhora do Rosário (que ligava a igreja à torre) foi substituída pelo edifício da Filial da Caixa Geral de Depósitos de Beja segundo projecto de Pardal Monteiro, mantendo os silhares de azulejos pombalinos no interior.4
Outros dados
- Alpendre manuelino-mudéjar1
- Torre do Concelho geminada: ostenta uma cabeça de touro romana, o brasão da cidade e a lápide “COLÓNIA PAZIVLIA – fezce no ano de 1763”1
- Local do milagre que originou a festa do Corpo de Deus instituída pela Infanta D. Beatriz2
- Baptismo de Caçuta, embaixador do Congo, na Igreja de Santa Maria no reinado de D. João II3
- Capelinha de N.ª Sra. da Luz (demolida 1970) e Passo e Capela do Rosário (demolida 1923) estavam adossadas ao edifício3
Fontes
- A Igreja de Santa Maria da Feira (Leonel Borrela, 1995) — série completa (3 artigos, 1995)
- Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro)
- Estudo Etnográfico, Cultural e Linguístico da Cidade de Beja (Mariana Correia)
- Igreja Paroquial de Santa Maria da Feira (Isabel Mendonça, 1993) — IPA, IIP, retábulos (Manuel João da Fonseca, Pedro Alexandrino), Pardal Monteiro, cronologia 1677–2006