Cupa Anepígrafa do Monte dos Pombais (Jorge Feio, 2016)

Artigo de Jorge Feio sobre a cupa romana anepígrafa descoberta no Monte dos Pombais, no concelho de Beja. A peça foi publicada como inscrição 584 do Ficheiro Epigráfico n.º 142, embora não conserve texto.

Descoberta e contexto

Afonso Ferreira Lima Raposo, proprietário do monte à data, encontrou a peça cerca de 25 anos antes da publicação de 2016, portanto aproximadamente em 1991. A descoberta ocorreu durante escavações mecânicas associadas ao derrube e à reconstrução de um casão. Esta data é uma inferência aproximada, não um registo contemporâneo do achado.

Segundo o testemunho do proprietário, os trabalhos revelaram duas camadas de ladrilhos e, ao baixar os pavimentos, um lagar para vinho. Na mesma ocasião apareceram um peso de lagar de mármore, uma mó de granito, um possível ábaco e dois elementos arquitectónicos decorados que ainda se encontravam em estudo. Fernando Valente deu a conhecer a localização da peça ao autor.

Descrição

A cupa foi talhada em mármore de Trigaches, com veios cinzentos. Apresenta forma de meia pipa alongada, dorso bem alisado e uma superfície algo irregular devido ao forte desgaste.

Os topos e a maior parte do soco estão danificados. Cada topo conserva um aro de aduela simples com 3 cm de espessura, definido por dois traços paralelos executados a ponteiro. Não são perceptíveis outros aros no dorso e não há vestígios de inscrição.

O monumento mede 103 por 60 por 46 cm, contando com o soco. Sem o soco, os topos têm 40 cm de largura e 34 cm de altura. Na zona central do dorso, a largura e a altura são ambas de 50 cm.

Enquadramento arqueológico

Nas proximidades situa-se o Monte dos Pombais 2, registado como mancha de ocupação com forte concentração de materiais arqueológicos. O conjunto de superfície inclui cerâmica de construção, cerâmica comum, fragmentos de opus signinum, um fragmento de dolium com cordão impresso, cerâmica comum fina com marca grafitada e fragmentos de ânforas. Foram também reconhecidos materiais da Idade do Ferro e da época islâmica.

A proximidade não demonstra que a cupa e todos os materiais provenham do mesmo contexto arqueológico. Do mesmo modo, o lagar e os restantes objectos foram comunicados oralmente pelo proprietário, sem descrição estratigráfica que permita atribuir-lhes uma cronologia segura.

Interpretação e paradeiro

A forma de meia pipa e os aros conservados sustentam a identificação como cupa, mas a ausência de inscrição impede conhecer o defunto, a oficina ou uma datação fina. O artigo aponta um paralelo decorativo exterior ao concelho de Beja, datado do século II, sem transferir essa data directamente para o exemplar do Monte dos Pombais.

Em 2016, o monumento e as restantes peças recolhidas encontravam-se depositados numa pequena propriedade de Afonso Ferreira Lima Raposo junto à aldeia de Nossa Senhora das Neves.

Entidades mencionadas

Documentos relacionados

Como citar

Referência (APA): Feio, Jorge (2016). Cupa anepígrafa do Monte dos Pombais, Beja (Conventus Pacensis). Ficheiro Epigráfico, (142), inscrição 584, 15-16.

Tags

Arqueologia Romano