Tumulária Medieval de Beja
Conjunto de edículas (nichos) e arcas tumulares medievais dos fundadores e benfeitores das igrejas e conventos de Beja - de execução mais modesta do que a tumulária de “além Tejo” (Abrantes, Santarém, Lisboa), mas das mais antigas do Baixo Alentejo.
Inclui também uma vasta colecção de estelas funerárias discoides, com cabeceira circular e espigão para fixação no solo. Um inventário de 2013 referenciou pelo menos 125 exemplares da área urbana, todos em mármore de São Brissos ou Trigaches. Os principais conjuntos provêm da Igreja de Santo Amaro, da antiga Igreja de S. João Baptista e da Igreja de Santa Maria da Feira.1
Algumas estelas representam instrumentos profissionais. Uma das 2019 conserva no reverso um arado radial, interpretado como símbolo do ofício de lavrador. Como foi encontrada reutilizada num aterro, a possível proveniência de São João Baptista permanece uma hipótese.1
Exemplares
- Estêvão Vasques († 1272) - arca brasonada e epigrafada na antiga capela de Santo Estêvão / Sagrado Coração de Jesus (Paço Episcopal); o mais antigo da cidade; abóbada sexpartida rara (citada por Mário Tavares Chicó);2
- João Mendes († 1329) - escudeiro de D. Dinis, em edícula da Basílica de Santo Amaro;2
- Rui Mendes Raposo (1.ª metade do séc. XIV) - lápide com lobo trepante e espada, na Sala dos Brasões;2
- Edícula do fundador D. Fernando na Conceição;2
- Capela tumular gótica do Convento de S. Francisco (panteão dos Freires de Andrade e Sousas de Arronches), hoje sem arcas.2
Fontes
- Heráldica Pacense XII-XV - Tumulária Medieval e Inventários (Leonel Borrela)2
- Duas Novas Estelas Funerárias Discoides de Beja (Serra, Porfírio e Pimpão, 2021)1
Tags
Arqueologia Arte Medieval Património