Igreja de S. Tiago Maior / Sé Catedral de Beja

Ficha de inventário do SIPA IPA.00004404 (Sistema de Informação para o Património Arquitectónico), elaborada por Rosário Gordalina em 2013. Cobre a história da Igreja de S. Tiago desde os primeiros bispos documentados (347 d.C.) até às obras de adaptação a Sé Catedral (1932–1937) e sagração em 1946.

Localização e Protecção

Acesso: Largo do Lidador, Beja. Protecção: incluída na Zona de Protecção do Castelo de Beja (v. PT040205130003); sem classificação autónoma.

Arquitectura

Igreja de planta longitudinal com 3 naves e 5 tramos, de gosto maneirista tardio (época filipina); colunas dóricas e abóbadas nervuradas. A sagração original como igreja paroquial deu-se em 1590, por D. Teotónio de Bragança (Arcebispo de Évora), após obras de Mestre Jorge Rodrigues.

Retábulo-mor (1696–1697)

O retábulo-mor foi executado em 1696–1697 por Manuel João da Fonseca, mestre lisboeta — o mesmo que, nos anos 1677–1681, realizara a talha do Altar do Rosário da Igreja de Santa Maria da Feira.1

Adaptação a Catedral (1925–1946)

  • 1925: Diocese de Beja restaurada; Igreja de S. Tiago elevada a Catedral.
  • 1932–1937: grande campanha de obras sob o bispo D. José do Patrocínio Dias, com projecto de Eng. Vassalo e Silva (memória descritiva 1933). As obras incluíram:
    • Ampliação da capela-mor (2.º tramo independente);
    • Instalação de azulejos do séc. XVIII — 12 000 azulejos, em grande parte do Convento das Mónicas (IPA.00005071);
    • Vitrais pela Fábrica Leone (1937);
    • Esculturas de José Ferreira Tedim (1932–1937);
    • Transferência de retábulos, imagens e ornamentos das igrejas das Trinas, Santa Luzia, Miguel Bombarda e dos palácios reais de Sintra, Pena, Necessidades, Ajuda, Mafra, Vila Viçosa e Carrancas (Porto);
    • Altar de pedra do Mosteiro da Batalha; talha do Convento de Aracoeli de Alcácer do Sal;
    • Remodelação da fachada principal: divisão em 3 corpos com frontão triangular e acrotérios; pilastras em cantaria de S. Brissos;
    • Adro pavimentado com lajedo de cantaria de S. Brissos; vedação com muro, grade e portão de ferro forjado.
  • 1937, 6 Jun: inauguração solene (Cardeal Patriarca de Lisboa).
  • 1946, 31 Mai–3 Jun: sagração solene da catedral.
  • 1966: integração do túmulo de D. José do Patrocínio Dias no 1.º arco da nave lateral direita (pedra de S. Brissos).
  • 1969: reparação de danos do sismo (telhados, fendas, abóbadas; adjudicação a António da Costa Saraiva, 50 000$00).
  • 2014–15: obras de requalificação pela Diocese de Beja.

Cronologia Sumária (Diocese de Beja)

AnoEvento
347Domiciano presente no Concílio de Sardes — 1.º testemunho de bispo em Pax Augusta2
Séc. V–7Sede episcopal visigótica (Apríncio, Palmácio; S. Urso e Isidoro — controvertidos)
715Sede extinta com conquista muçulmana
1590Sagração por D. Teotónio de Bragança; Mestre Jorge Rodrigues
c. 1600–02Estabelecimento do Colégio de S. Sisenando pelos Jesuítas
1696–97Retábulo-mor por Manuel João da Fonseca
1770Restauro da Diocese por Breve de Clemente XIV; D. Fr. Manuel do Cenáculo Vilas Boas nomeado bispo
1925Elevação a Catedral
1932–37Obras de adaptação; Vassalo e Silva; D. José do Patrocínio Dias; José Ferreira Tedim; Fábrica Leone
1937, 6 JunInauguração solene
1946Sagração solene da catedral
2014–15Obras de requalificação (Diocese de Beja)

Fontes de Arquivo

IHRU: DGEMN:DSID-001/002-003-0153/1, DGEMN:DSARH-010/047-0204, 0205, 0276, DGEMN:DSMN-0360/16; BAC — Biblioteca da Academia das Ciências, cód. 135v, 539v, 813v; BPE — Biblioteca Pública de Évora (cód. CXXVIII e CXXIX/1-17 a 1-21); DGLAB/TT: Memórias Paroquiais (1758) / PT/TT/MPRQ/6/74.

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Footnotes

  1. Gonçalves Serpa refere que durante as obras vieram do Convento das Mónicas 11 mil azulejos com cenas da vida de Cristo e Nossa Senhora (SERPA, 1958, p. 334); o processo de obras refere, em 1935, 12 mil azulejos vindos de Lisboa sem especificar proveniência.

  2. Alguns historiadores identificam este Domiciano como bispo de Asturica Augusta (Astorga).