Miguel Serra

Arqueólogo (Palimpsesto, Lda.), co-responsável pelas escavações do povoado do Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel, Beja), o grande sítio do Bronze Final da região de Beja.1 Com Eduardo Porfírio, dirigiu o projecto sobre a transição Bronze Final / Idade do Ferro no Outeiro do Circo (campanhas 2008-2011).

Com Eduardo Porfírio, desenvolveu desde 2008 a vertente de educação patrimonial do Projecto Outeiro do Circo, baseada na colaboração com os habitantes de Mombeja, na recolha de memórias locais e na ligação entre arqueologia, património imaterial e divulgação audiovisual.2

Também arqueólogo de Beja romana: responsável por escavações de salvaguarda no centro histórico (rede de abastecimento de água, 2006-09) e autor da primeira sistematização das Cloacas de Pax Iulia (2025).3

Em 2004 dirigiu a intervenção arqueológica associada ao parque de estacionamento e jardim público da Rua Dom Manuel I, durante a qual foi identificada a inscrição funerária FE 483 reutilizada num torreão das Muralhas de Beja. Publicou-a em 2013 com José D’Encarnação.4

Entre Setembro de 2015 e o final de 2016 dirigiu a intervenção arqueológica da reabilitação do Parque Vista Alegre. O levantamento do pano medieval permitiu documentar os fragmentos FE 594 e outros materiais antigos reutilizados nas muralhas.5

Em 2018 publicou com José D’Encarnação a cupa FE 636, reutilizada no Torreão Norte das Portas de Mértola e conhecida até então sem estudo científico.6

Em 5 de Setembro de 2018 identificou o Fragmento de Cupa do Centro UNESCO na face interior das muralhas e publicou-o no ano seguinte como FE 694. A peça não conserva o campo epigráfico.7

Em Março e Junho de 2022, com Nelson J. Almeida e João Barreira, dirigiu a prospecção e o acompanhamento arqueológico realizados pela cooperativa O Legado da Terra na Herdade da Rabadia, em Baleizão. Publicou no mesmo ano o tijolo com grafito FE 821 recolhido no sítio Herdade das Barbas de Lebre 1.8

Em 2025 publicou o fragmento de estela funerária FE 908, conservado na colecção particular de Carlos Mendes. O estudo reconheceu a fórmula dedicada aos deuses Manes, propôs uma datação no século II e distinguiu uma reutilização decorativa posterior à época romana.9

Com Eduardo Porfírio, dirigiu o acompanhamento arqueológico do projecto de electrificação da villa romana de Pisões. O artigo que publicou em 2007 documentou outro troço do canal de abastecimento e uma estrutura periférica que poderá ampliar a área conhecida do estabelecimento.10

Entre Março e Abril de 2008, também com Eduardo Porfírio, dirigiu a escavação de emergência das termas romanas da Rua do Poço Novo, em Trigaches. A intervenção revelou um praefurnium, parte do hypocaustum e uma canalização de abastecimento.11

Em 2021 publicou, com Eduardo Porfírio e Eunice Pimpão, duas estelas funerárias discoides medievais descobertas em aterro durante obras de 2017 e 2019. O estudo distinguiu o contexto de reutilização da hipótese de uma proveniência na antiga Igreja de São João Baptista.12

Fontes

Tags

Arqueologia

Notas

  1. Ensaio sobre a Região de Beja em torno do Ano Mil a.C. (Raquel Vilaça)

  2. O Xaroco e o Projecto Outeiro do Circo (Porfírio, Serra e Mendoza, 2025) 2

  3. A Rede de Cloacas em Pax Iulia (Miguel Serra, 2025)

  4. Inscrição Funerária Romana nas Muralhas de Beja (D’Encarnação e Serra, 2013) 2

  5. Fragmentos de Cupae nas Muralhas de Beja (Miguel Serra, 2017) 2

  6. Cupa do Torreão das Portas de Mértola (D’Encarnação e Serra, 2018) 2

  7. Novo Fragmento de Cupa na Muralha de Beja (Miguel Serra, 2019) 2

  8. Tijolo com Grafito da Herdade das Barbas de Lebre (Miguel Serra, 2022) 2

  9. Fragmento de Epitáfio Romano em Pax Iulia (Miguel Serra, 2025) 2

  10. Novos Dados para o Conhecimento da Villa Romana de Pisões (Miguel Serra, 2007) 2

  11. Intervenção de Emergência numa Villa dos Arredores de Pax Iulia (Serra e Porfírio, 2009) 2

  12. Duas Novas Estelas Funerárias Discoides de Beja (Serra, Porfírio e Pimpão, 2021) 2