As Movimentações Militares do Exército Napoleónico no Alentejo em 1807-1808 — Análise dos Relatos do Tenente-General Thiébault (José Luís Assis, 2009)

Artigo da Revista Militar (n.º 2484, 2009) que analisa os relatos do tenente-general Thiébault (chefe do estado-maior do corps d’observation de la Gironde) sobre as movimentações francesas no Alentejo, desde a invasão de 19 de Novembro de 1807 (por Segura) até à retirada após a Convenção de Sintra (31 de Agosto de 1808). Contexto: Guerra Peninsular / 1.ª Invasão Francesa.

Para a base de Beja, o núcleo de interesse é o Saque de Beja de 26 de Junho de 1808 — um dos episódios mais trágicos da história moderna da cidade.

Nota de edição: existem na pasta de origem duas cópias do mesmo artigo (o PDF da Revista Militar e a versão web impressa, revistamilitar.pt/artigo/366) — é a mesma obra, não foi criada nota separada.


Contexto geral

  • 27 Out 1807 — Espanha adere ao Bloqueio Continental (Tratado de Fontainebleau); Portugal seria dividido em três; o Alentejo e o Algarve formariam um principado para Manuel Godoy, sob protectorado espanhol
  • 19 Nov 1807 — invasão pelo Alentejo (por Segura)
  • Ocupação franco-espanhola; general Kellermann comanda as tropas a leste do Tejo (QG em Setúbal)

O Saque de Beja (Junho de 1808) ⭐

Na sequência da sublevação geral do Alentejo (inspirada pela revolta do Algarve):

  • Beja revolta-se contra a ocupação francesa e reúne 6.000 homens
  • 23 Jun — o coronel Maransin (acantonado em Mértola com regimentos retirados do Algarve) envia a Beja uma força de reconhecimento: 100 infantes + 30 dragões
  • À chegada, o povo armado revolta-se, mata o juiz de fora António Camizão e o provedor Francisco Pessanha, e expulsa o destacamento francês (que perde alguns homens)
  • 25 Jun, 23h — a notícia chega a Mértola; à meia-noite Maransin marcha com a Légion du Midi e o 26.º de linha, reforçados com mais 950 homens
  • 26 Jun, 17h — percorridas as 9 léguas Mértola–Beja, atacam a cidade
  • Beja, “cercada de altas muralhas com as portas barricadas”, defendida por força cinco vezes superior à francesa; os portões foram cortados e arrombados a golpes de machado
  • Após várias horas de combate: ~1.200 mortos do lado português; todos os apanhados com armas foram passados a fio de espada; as casas de onde fizeram fogo foram queimadas; a cidade foi pilhada/saqueada
  • Baixas francesas: 30 mortos (incl. o comandante de batalhão Berthier, da Légion du Midi) e 50 feridos (incl. o comandante Dein, do 26.º)

“Tout ce qui fut pris les armes à la main, fut passé au fil de l’épée; les maisons d’où l’on tira sur nos troupes furent brûlées; la ville fut pillée, et 1200 morts furent pour l’ennemi” — Thiébault

Consequências

  • 2 Jul 1808 — o Sacro Colégio Patriarcal publica pastoral ameaçando de excomunhão quem se levantasse contra os franceses
  • 4 Jul — o intendente Lagarde avisa que “o castigo imposto a Beja” seria aplicado a qualquer povoação que pegasse em armas
  • As tropas francesas retiram de Beja com os despojos, rumo a Estremoz (juntar-se a Kellermann)
  • Beja levanta-se de novo e organiza uma junta local; torna-se “centro de uma nova resistência” — o general Loison não conseguiu marchar sobre a cidade
  • As Juntas de Beja e Campo Maior não reconheceram a supremacia da Junta do Governo do Alentejo (criada em Estremoz)
  • Milícias de Beja participam depois nas forças luso-espanholas (com Estremoz, Évora, Montemor, Viana)

Entidades mencionadas

Pessoas

Locais

Temas


Documentos relacionados

Como citar

Referência (APA): Assis, José Luís (2009). As movimentações militares do exército napoleónico no Alentejo 1807-1808. Revista Militar, (2484).

Tags

guerra-peninsular invasoes-francesas napoleao #1808 saque-de-beja historia-militar seculo-xix beja