Silos Medievais de Beja
Estruturas negativas escavadas no subsolo (substrato brando de barros), usadas como contentores de armazenamento de cereais (sobretudo trigo) e frutos secos, na Beja medieval e moderna. Conhecidos pelo povo como matmôrras, matamôrras, masmorras, covas, covelas (Abel Viana, 1946).
Características
- Tampados com pedra ou mós reutilizadas; depois colmatados com entulho1
- Função primária: armazenagem (sécs. XIV–XV, alguns desde o séc. XIII)1
- Função secundária: lixeiras domésticas / despejos de açougues (até à 1.ª metade do séc. XX)1
Conjunto da Avenida Miguel Fernandes (2004)
137 silos escavados pela Crivarque na Avenida Miguel Fernandes, fora das muralhas — o maior conjunto conhecido. Armazenagem nos séc. XIV-XV, preenchimento sécs. XV–XVI. Rico espólio (cerâmica comum e de importação valenciana, sevilhana, nasri; numismática; espólio bélico, têxtil, de ofícios e de adorno).
- O mesmo Parque Subterrâneo revelou uma estratigrafia multi-período sob os silos: Idade do Ferro; estruturas romanas com pavimento de opus signinum (perto do fórum de Pax Iulia); e níveis islâmicos dos séc. IX-XIII1
Outros silos pela cidade
Registados por Abel Viana dentro e fora da muralha: Rua da Conceição (sob o refeitório do Convento da Conceição, abandonados c. 1506), Rua do Conde da Boavista, recinto do Castelo, Praça da República, Rua do Touro, Rua das Portas de Moura (escavado 1987, com materiais romanos/islâmicos/modernos), entre outros.
Desactivação
Ligada à criação do Celeiro Comum de Beja (1579), que proibiu os lavradores de “encovar” cereais.
Fontes
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romano islamico medieval religiao