Os Espaços Abertos no Sistema Urbano de Beja (Ana Velhinho, 2011)
Relatório de estágio do Mestrado em Arquitectura Paisagista (Universidade de Évora, Agosto 2011) de Ana Paula Velhinho. Orientadora: Prof.ª Aurora Carapinha. Estuda os espaços abertos / verdes e a morfologia urbana de Beja — uma dimensão (urbanismo, paisagem, planeamento do séc. XX) nova na base.
Contexto
- Beja, capital de distrito do Baixo Alentejo; colina de 280 m na linha de festo entre as bacias do Sado e do Guadiana; sistema de vistas de grande amplitude
- Pressão urbanística tardia e contida → desenvolvimento relativamente ordenado
Evolução da morfologia urbana
Cidade romana
- Planta hipodâmica / ortogonal; cardus maximus na actual Rua do Conde da Boavista → Rua do Touro; eixo principal na Rua Aresta Branco e Rua Manuel Arriaga
- Fórum (segundo Alarcão) entre a Praça da República, Rua dos Escudeiros, Rua do Sembrano e o Museu Rainha D. Leonor
- Ver Urbanismo Romano de Pax Iulia
Cidade medieval
- Com o assentamento árabe, planta radiocêntrica adaptada à topografia
- Núcleo: Castelo + Igreja (Sé); junto a estes, a praça medieval (actual Largo do Lidador, geometria irregular), com funções de mercado, ligada ao exterior pela Porta de Évora
- Ruas estreitas e tortuosas + logradouros multifuncionais; malha compacta limitada pela muralha; matriz que ainda define o centro histórico
Sob D. Manuel I (Renascimento)
- Reconstrução com a fundação do Ducado de Beja; o Convento de S. Francisco foi a 1.ª construção extramuros (fim séc. XIII, junto à Porta de Mértola)
- D. Manuel (Duque de Beja) cria a “Praça Nova” (actual Praça da República) com edifícios emblemáticos: Igreja da Misericórdia, Hospital, Mosteiro da Conceição, Palácio dos Duques
Fim séc. XIX – séc. XX
- Processo destrutivo (sob o Visconde da Ribeira Brava) de equipamentos e edifícios para criar espaços amplos — influência neoclássica e higienista; demolição da igreja de S. João (1919), portas romanas
- Crescimento extramuros com a industrialização: Estação de Caminho de Ferro (1893), Edifício da Moagem
- 1840 — primeiro passeio público (ver Jardim Público de Beja)
- Estado Novo (modernismo): requalificação da Praça da República (circulação automóvel); Liceu Diogo de Gouveia, Escola D. Manuel I, Hospital Distrital; bairros operários
- Anos 50 — desobstrução das muralhas junto ao Castelo (arco da Porta de Évora a descoberto)
- Bairro dos Alemães (anos 1960, Eng.º Costa Lobo) e Bairro do Ultramar — modelo da cidade-jardim de Howard
Programa Polis (2000–2004)
Instrumentos de planeamento urbano ⭐ (novo)
| Ano | Autor | Plano |
|---|---|---|
| 1944 | Étienne de Gröer | Ante-projecto do Plano de Urbanização |
| 1954 | Nikita de Gröer | Remodelação do PU (prevê parque municipal) |
| 1962/72 | José Rafael Botelho | Anteplano de Beja — Esboceto de Zonamento (“eixo verde”; parque de 35 ha) |
| 1967 | — | Plano Director de Beja — Esboceto |
| 1975 | Ruy d’Athouguia | Estudos Preliminares do PU (mata e verde de lazer a S e O) |
| 1975/1986 | — | Plano de Salvaguarda do Centro Histórico |
| 1992 (rev. 2000) | — | PDM de Beja |
Espaços verdes principais
- Jardim Público de Beja (Gago Coutinho e Sacadura Cabral) — o 1.º passeio público (1840), na antiga cerca do Convento de S. Francisco
- Parque da Cidade de Beja — criado no Programa Polis; o espaço mais aceite, maior área permeável e riqueza ecológica; interface rural-urbano
- Jardim da Muralha — criado no Polis (Rua Cap. João Francisco de Sousa); o mais degradado
- Barranco do Poço dos Frangos — linha de água dentro do perímetro urbano
- Logradouros, pátios e jardins privados das casas senhoriais (espaços permeáveis históricos)
Entidades mencionadas
Pessoas
- Ana Paula Velhinho (autora) · Étienne de Gröer · Jorge de Alarcão
Locais
- Jardim Público de Beja · Parque da Cidade de Beja · Largo do Lidador · Praça da República (Beja) · Avenida Miguel Fernandes · Convento de S. Francisco · Porta de Évora · Museu Rainha D. Leonor
Temas
- Urbanismo e Espaços Verdes de Beja · Programa Polis de Beja · Urbanismo Romano de Pax Iulia · Muralhas de Beja
Documentos relacionados
- Estudo Etnográfico, Cultural e Linguístico da Cidade de Beja (Mariana Correia) — descreve a Praça da República, o Largo de Santo Amaro, a expansão urbana e a demolição da igreja de S. João
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes) / Urbanismo Romano de Pax Iulia — o traçado romano subjacente
- Beja Medieval — Os Silos da Avenida Miguel Fernandes (Martins, Neves, Aldeias) — o parque subterrâneo da Av. Miguel Fernandes (Polis) que revelou os silos
- A História da Água de Beja (Marta Páscoa) — o Barranco do Poço dos Frangos e os espaços de água
Como citar
Referência (APA): Velhinho, Ana Paula (2011). Os espaços abertos no sistema urbano de Beja [Relatório de mestrado, Universidade de Évora].
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