Hospital José Joaquim Fernandes — 50 Anos de História Falada (Florival Baiôa Monteiro, 2025)

Livro de Florival Baiôa Monteiro (ed. ULS do Baixo Alentejo, 2025) que assinala os 50 anos do Hospital José Joaquim Fernandes de Beja (1970–2020). Combina uma resenha histórica da saúde na região (desde o séc. XV) com a história oral das cinco décadas do hospital, contada por quem nele trabalhou — serviço a serviço (radiologia, bloco operatório, urgências, especialidades, etc.).

📖 A fonte de referência para a história hospitalar de Beja: a linhagem do “Hospital Velho” (1490) até ao Hospital José Joaquim Fernandes (1970).


A saúde em Beja antes do hospital moderno

Antes do hospital quatrocentista, Beja tinha várias casas de assistência dispersas: a Gafaria de São Lázaro (junto à ermida de Santo André), o Hospital de São Brás (arrabalde de S. Francisco, já desactivado), o Hospital dos Palmeiros (para peregrinos) e o Hospital dos Meninos (enjeitados). Por ordem ducal e de D. Manuel, concentraram-se todos num só edifício.

O Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade (1490)

  • Iniciativa do infante D. Fernando (que lhe chamaria “da Santíssima Trindade”); o filho D. Manuel I deu-lhe o nome de Hospital Grande de Santa Maria da Piedade, depois Nossa Senhora da Piedade
  • Tombo primitivo de 1490 (outro de 1495, pelo escrivão Álvaro Fernandez); Regimento de 1511 (manuscrito por André Pires) editado por D. Manuel
  • Apontado pelo autor como o primeiro dos grandes hospitais modernos de Portugal, anterior ao de Todos-os-Santos (1492); o do Pópulo (Caldas, 1485) de Rainha D. Leonor tem a primazia habitual
  • Ver detalhes na nota Hospital de Nossa Senhora da Piedade

A regionalização e o impasse (séc. XX)

  • Lei n.º 2.011 (1946) institui a 1.ª organização hospitalar nacional (central / regional / sub-regional); o Decreto-Lei n.º 48.357 (1968) põe-na em prática
  • O Hospital da Piedade, administrado pela Santa Casa da Misericórdia de Beja, não reunia condições para hospital regional: os Monumentos Nacionais impediam obras por o edifício assentar nas muralhas; faltavam camas, laboratório, médicos
  • Financiava-se de rendas e dos cortejos de oferendas anuais (Agosto), tradição etnográfica com carros alegóricos de todas as freguesias

A doação que tudo mudou (1963)

  • Carolina Almodôvar Fernandes (“Lina Almodôvar”), por vontade expressa do marido José Joaquim Fernandes (morto em acidente na estrada de Aljustrel em 1962), doou ~14 mil contos (6 mil em dinheiro + uma herdade + o terreno) para o novo hospital regional (Acta da Santa Casa, 22 Jan 1963; escritura 8 Jul 1963)
  • Com a doação, o Estado teve de financiar pouco mais de 10% da obra

A obra e a transferência (1955–1970)

  • Arquitecto Raúl Chorão Ramalho (primeiros debuxos em 1955, antes da doação); 6 pavimentos, 200 camas (ampliável a 300)
  • Inaugurado em Outubro de 1970 — o primeiro hospital construído e administrado pelo Estado Português dentro da nova política de saúde
  • 1.º administrador: José Meneses Correia (dos primeiros portugueses com formação em administração hospitalar em Rennes); Comissão Instaladora com o provedor Luís Fernandes do Nascimento Loureiro e o cirurgião Dr. Horácio Flores
  • O Hospital da Misericórdia perdeu a função hospitalar; a separação dos hospitais distritais das Misericórdias ficou estabelecida em Julho de 1974

Os 50 anos (1970–2020)

O livro percorre os serviços e a sua evolução: radiologia, bloco operatório, urgências, as medicinas (cardiologia, gastroenterologia, diabetes), farmácia, patologia clínica, pediatria, obstetrícia, ortopedia, medicina física, oftalmologia, psiquiatria, Hospital de Dia, hemodiálise, informática, a Escola Superior de Saúde e a administração — modernizando-se sempre, apesar da crónica escassez de quadros médicos.


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Como citar

Referência (APA): Monteiro, Florival Baiôa (2025). Hospital José Joaquim Fernandes – 50 anos de história falada. ULS Baixo Alentejo.

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