Florival Baiôa Monteiro
Florival Baiôa Monteiro (Beja, 1951 - 13 de Fevereiro de 2024) foi professor, historiador de arte e activista cívico. A defesa do património, a transmissão da história local e a reivindicação de melhores condições para o Baixo Alentejo fizeram dele uma das figuras mais reconhecidas da vida cultural de Beja nas últimas décadas do século XX e no início do século XXI.1
Formação, oposição à ditadura e ensino
Licenciou-se e doutorou-se em História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Durante a crise académica de 1969 foi expulso do Instituto Comercial de Lisboa. Mobilizado para a Guerra Colonial em 1973, desertou e viveu cerca de dois anos em Bruxelas como refugiado político reconhecido pelas Nações Unidas. Regressou a Portugal em 11 de Março de 1975.1
De volta a Beja, ensinou durante 36 anos, em escolas da cidade e no Instituto Politécnico de Beja, disciplinas como História, Antropologia Cultural e Organização Política. Nas escolas D. Manuel I e Santa Maria criou clubes de jornalismo e jornais feitos por alunos.1
Património e intervenção cívica
Participou, com Cláudio Torres e A. Borges Coelho, na criação do Centro de Apoio da História. Foi fundador e presidente da adpBEJA, criada em 1979 para defender e valorizar o património cultural da região.12
Sob a sua direcção, a associação interveio na salvaguarda do centro histórico e promoveu investigação, exposições, visitas e educação patrimonial. Entre as iniciativas que ajudou a recuperar ou desenvolver contam-se a Festa das Maias, os concursos de cantares alentejanos, as mostras de doçaria conventual, a valorização das olarias de Beringel, a Cavalhada, a Festa do Azulejo e a recuperação do forno comunitário da Tí Bia Gadelha.12
Foi também um dos principais rostos do movimento Beja Merece+, iniciado em 2010 contra o desinvestimento público na região e em defesa das acessibilidades, da saúde e do desenvolvimento do distrito.1
Investigação e publicações
O seu trabalho como historiador de arte incidiu especialmente na azulejaria. Publicou A Azulejaria do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja (2001), estudo de 198 páginas sobre os revestimentos cerâmicos do convento, e, em 2015, Arte Azulejar de Beja - Séculos XV a XX e Beja - 100 Anos de Imagens.23
Em 2025 foi editado Hospital José Joaquim Fernandes - 50 anos de história falada, livro que articula a história das instituições de saúde de Beja com testemunhos de profissionais do hospital.4
Reconhecimento e legado
Em 2019, a Câmara Municipal de Beja atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Artístico e Cultural. Morreu aos 73 anos, vítima de doença prolongada. O município decretou um dia de luto municipal e assinalou publicamente o legado que deixou à cidade e ao concelho.15
Fontes
- Morreu o historiador Florival Baiôa (Teixeira Correia, 2024)1
- Beja - 40 Anos da Associação de Defesa do Património (Florival Baiôa, 2019)2
- Registos bibliográficos de A Azulejaria do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja e Arte Azulejar de Beja - Séculos XV a XX.3
- Hospital José Joaquim Fernandes - 50 Anos de História Falada (Florival Baiôa Monteiro, 2025)4
- Voz da Planície, 13 de Fevereiro de 2024.5
Tags
Associativismo Cultura Idade contemporânea Património
Notas
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Morreu o historiador Florival Baiôa (Teixeira Correia, 2024) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
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Beja - 40 Anos da Associação de Defesa do Património (Florival Baiôa, 2019) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Registo bibliográfico de A Azulejaria do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja, Património Cultural, I.P.; registo de Arte Azulejar de Beja - Séculos XV a XX, WorldCat. ↩ ↩2
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Hospital José Joaquim Fernandes - 50 Anos de História Falada (Florival Baiôa Monteiro, 2025) ↩ ↩2
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“Morreu Florival Baiôa. Câmara Municipal de Beja decretou um dia de luto municipal”, Voz da Planície, 13 de Fevereiro de 2024. ↩ ↩2