Cupa de Eutiches, Beja (Dias e Gaspar, 2013)

Artigo de Manuela Alves Dias e Catarina Gaspar que publica a inscrição funerária de uma criança chamada Livínio Eutique, gravada numa cupa romana encontrada reutilizada na Rua Dom Manuel I n.º 23, em Beja. O estudo corresponde à inscrição 464 do Ficheiro Epigráfico n.º 105.

Achado e paradeiro

A peça foi identificada cerca de 2008 por José Carlos Oliveira, durante obras de remodelação no café Vinte e Três, na Rua D. Manuel I n.º 23. Encontrava-se reutilizada no interior do edifício. Foi depois recolhida para os depósitos do Museu Regional de Beja.

O ponto onde a cupa apareceu comprova a sua reutilização naquele edifício, mas não demonstra por si só o lugar original da sepultura. Uma síntese posterior incluiu-a entre os testemunhos da Necrópole Noroeste de Pax Iulia.

O monumento

A cupa foi talhada em mármore de Trigaches. Tem forma de barril e quatro pares de aros esculpidos. Mede 45 cm de altura, 117 cm de comprimento e 50 cm de largura. O campo epigráfico, colocado numa das faces laterais, mede 21 por 17,5 cm e insere-se numa moldura de 24 por 27 cm.

Uma cavidade aberta no topo, a perda do plinto e das extremidades, as abrasões e o desgaste mostram que a peça passou por várias fases de reutilização. Essas alterações afectaram também a leitura da inscrição.

Inscrição

Os autores propõem a leitura:

LIV[IN]IVS
E[V]TICHES
ANN VI
H S [EST ...]

Em português: “Aqui jaz Livínio Eutique, de seis anos.”

O final da primeira linha e os vestígios conservados sustentam a restituição Livinius. A segunda linha permite ler com segurança Eutiches. Na última linha conservam-se as abreviaturas de hic situs est. O espaço danificado poderá ter contido uma fórmula como sit tibi terra levis, mas o texto exacto não pode ser reconstituído.

Onomástica e datação

Livinius é um gentilício raro, entendido como variante de Livieinus. Eutiches é um nome de origem grega, habitualmente grafado Eutyches, bem documentado na Antiguidade Tardia e conhecido no sul da Lusitânia. A inscrição não declara o estatuto jurídico ou social da criança, pelo que não permite classificá-la como escrava ou liberta.

O desenho regular das letras e os paralelos onomásticos levaram as autoras a datar a cupa dos séculos II-III d.C.

Uma síntese de 2025 grafou o nome como “Lavinio Eutiques”. A forma portuguesa Livínio Eutique baseia-se na leitura da publicação epigráfica original.

Entidades mencionadas

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Como citar

Referência (APA): Dias, Manuela Alves, & Gaspar, Catarina (2013). Cupa de Eutiches, Beja. Ficheiro Epigráfico, (105), inscrição 464, 3-5.

Tags

Arqueologia Epigrafia Romano