O Arco de Avis — Restaurar a Memória de Pax-Júlia (Agenda Cultural de Beja, 2005)

Crónica da secção Arquivos da Agenda Cultural de Beja (Fevereiro de 2005, CMB), sobre o restauro do Arco de Avis — a porta romana de Beja — e as perdas de património na transição do séc. XIX para o XX.


O restauro do Arco de Avis (1939)

  • 1939 — restauro do arco pela Câmara Municipal de Beja e pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN)
  • 1893 — demolição das portas romanas de Avis e da Capela de Nossa Senhora da Guia (seiscentista) que se lhe sobrepunha
  • Aquando da demolição, as aduelas (do arco de volta inteira) e blocos dos pés-direitos foram transportados para a “pescadaria” no Largo dos Duques de Beja
  • Por isso, 46 anos depois (1939), a reposição no local original (extremo do Terreirinho das Peças) foi relativamente fácil; só faltou reconstituir uma das duas torres
  • A toponímia “Terreirinho das Peças” vem das peças de artilharia (canhões) usadas nas guerras da Restauração e Peninsular

A delapidação do património (1876–1919)

A crónica sublinha a perda profunda de património entre:

Fontes iconográficas da Porta de Avis

Não se conhecem fotografias da porta antes da demolição, mas existem:

  • 2 gravuras da 2.ª metade do séc. XIX
  • 2 desenhos rigorosos: 1860 (Rosa Mendes) e 1894 (Rosa Júnior, desenhador do município)
  • Litografia da vista de Beja (Março de 1850, de A. F. R. Graça, oficina Sousa-Porto e Vaz)

A Capela de N.ª Sra. da Guia

  • Nave única, portal axial elevado, acessível por escadaria pela rua das Tripeiras (hoje rua da Guia, em homenagem ao templo desaparecido)
  • Assentava sobre as duas torres e o túnel de acesso ao Terreirinho das Peças
  • António Lopes Baião mandou-a construir à sua custa em 1635, depois de obras de restauro na muralha; terá também (antes) trasladado o arco romano para ali

Tese: o arco terá sido transladado / poderá não ser romano in situ

A crónica levanta a hipótese de o arco não ser romano naquele local original, ou de ter sido movido por Lopes Baião:

  • As aduelas têm cornijamento em ambas as faces (funcionalidade diferente de uma porta de cidade)
  • A entrada não está alinhada com o cardo e decumanus ortogonais da cidade imperial — ao contrário das Portas de Évora, de Vipasca (Rua Dr. Brito Camacho, antiga do Buraco) e de Mértola
  • “É mais uma asserção a comprovar ou a desmentir” — mas o importante é a própria existência do arco romano e da fortificação

A muralha

A fortificação ainda possui 37 torres e perímetro de quase 1800 m — sensivelmente o mesmo da cidade romana de Pax-Júlia (ver Muralhas de Beja).


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Como citar

Referência (APA): Câmara Municipal de Beja (2005, fevereiro). O Arco de Avis – restaurar a memória de Pax-Júlia. Agenda Cultural de Beja.

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