Heráldica Pacense XII-XV — Tumulária Medieval e Inventários (Leonel Borrela)
Quatro artigos finais da subsérie Heráldica Pacense de Leonel Borrela (Diário do Alentejo, 1995-99): conclui as armas reais e abre o tema da tumulária medieval (edículas e arcas tumulares brasonadas), rematando com o inventário de Eugénio Tavares de Almeida.
XII — Mais dois escudos régios medievais
- Dois raros escudos reais; um possivelmente o mais antigo da cidade (séc. XIII/XIV), usado também como armas da cidade; outro de finais do séc. XVI.
- Um tem dois touros de lado na bordadura. Estiveram no antigo “museu archeologico” da Câmara (na então Praça de D. Manuel I, hoje da República); andaram às voltas — um está escondido com a face para baixo na praça d’armas, outro guardado na Ermida de S. Sebastião.
- Reserva para futura monografia da torre de menagem outros dois escudos (um na face exterior, outro repetido no fecho da última abóbada nervurada).
XIII (1995) — Edículas tumulares medievais
Levantamento das edículas tumulares (nichos) dos fundadores e benfeitores:
- Convento de S. Francisco (Pousada): capela tumular gótica, panteão dos Freires de Andrade e Sousas de Arronches — já sem arcas;
- Igreja da Conceição: edícula do fundador D. Fernando (arca maneirista) e outra queimada;
- Basílica de Santo Amaro: duas edículas do início do séc. XIV, uma com o túmulo de João Mendes, escudeiro de D. Dinis, epigrafado e datado de 1329;
- O mais antigo: arca brasonada e epigrafada de Estêvão Vasques († Maio de 1272), na capela do Sagrado Coração de Jesus / antiga capela de Santo Estêvão (Paço Episcopal) — desenho de Rosa Junior (1893); abóbada sexpartida rara, já mencionada por Mário Tavares Chicó (O Gótico em Portugal).
XIV — A lápide de Rui Mendes Raposo
Na Sala dos Brasões, lápide funerária medieval (1,75×0,78×0,24 m): escudo com lobo trepante (1.º e 4.º quartéis) e cinco faixas (2.º e 3.º), sobre espada em banda. Inscrição gótica: “Esta sepultura he de Rui Mendes Raposo cavaleiro da casa del rey nosso snor e de sua molher branca lopz…”. Tipologia da primeira metade do séc. XIV (afim aos túmulos de João Mendes e Estêvão Vasques).
XV — O inventário de Eugénio Tavares de Almeida
Apresenta o estudo “Brasões de Armas existentes no Baixo Alentejo” de Eugénio Tavares de Almeida (Arquivo de Beja, vols. XXIII-XXIV, 1965-67), ilustrado por Armindo Franco — heráldica de família e armas reais em edifícios, capelas e túmulos.
- Começou por Alvito (barões, condes, marqueses; casa Cadaval, solar de Água de Peixes);
- Em Beja: as seis armas reais do castelo; o escudo de 1794 do Hospital Velho (Rua D. Manuel I); escudos de D. Manuel I; o de Nossa Senhora do Carmo; o da antiga residência de António Bicker da Costa (Lacerdas, Britos, Sousas do Prado, Pereiras); o da farmácia do hospital militar no Convento de S. António (actual Patronato); e o do Palacete dos Maldonados (Rua do Esquível), setecentista, de Luiz Guedes de Miranda Mendonça Lima e Albuquerque († 1757).
Entidades mencionadas
Leonel Borrela · Heráldica Pacense · Tumulária Medieval de Beja · Praça de Armas do Castelo · Ermida de S. Sebastião · Torre de Homenagem · Convento de S. Francisco · Convento da Conceição · D. Fernando, 1.º Duque de Beja · Igreja de Santo Amaro · João Mendes · D. Dinis · Estêvão Vasques · Igreja de Santo Estêvão · Paço Episcopal · Rosa Junior · Mário Tavares Chicó · Sala dos Brasões · Rui Mendes Raposo · Eugénio Tavares de Almeida · Armindo Franco · Hospital de Nossa Senhora da Piedade · D. Manuel I · Convento de S. António · Palacete dos Maldonados · Praça da República (Beja)
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Como citar
Referência (APA): Borrela, Leonel (1995-1999). Heráldica Pacense XII-XV — Tumulária Medieval e Inventários. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).