Palacete dos Maldonados
Palacete setecentista na Rua do Esquível, 29, em Beja — o mais aparatoso palacete brasonado da cidade (extensa “bateria” de janelas de sacada; portal de mármore com frontão curvo e escudo de armas lavrado em mármore branco). Actualmente em uso como lar assistencial, propriedade pública estatal.
Arquitectura
Planta composta e irregular, com fachada principal dividida em três panos por pilastras de cantaria. O portal principal tem frontão curvo e tratamento muito livre das pilastras — o elemento barroco mais explícito numa fachada que segue o modelo residencial senhorial do séc. XVI. O acesso ao interior faz-se por arcada coberta por abóbada de aresta, que conduz a escadaria em U com volutas caneladas e concheados.1
No interior, destaca-se a sala com tectos pintados a óleo: a cena central representa o Milagre de Ourique; os painéis maiores representam a Batalha de Ourique e a tomada da Cidade de Beja aos mouros. Outra sala conserva tecto de masseira com brutescos polícromos e alegoria ao tempo.1
Materiais nobres: cantaria de mármore de Trigaches nos vãos, portal e escadaria.1
História
- Séc. XVIII, 1.ª metade — construção pelo coronel de dragões e comendador da Ordem de Aviz, Luís Guedes de Miranda Mendonça Lima e Albuquerque1
- 1751, 11 de Dezembro — falecimento do fundador1
- Séc. XIX — residência da família Maldonado, que deu o nome ao edifício1
- Séc. XX, inícios — Colégio Maria do Céu; depois quartel; depois instituição religiosa1
- Séc. XX, meados — Escola do Magistério Primário, com descaracterizações2
- 1983 — início de processo de classificação como Imóvel de Interesse Público1
- 2009 — processo de classificação caducado; edifício actualmente sem protecção legal1
Beja é pobre em palácios (ao contrário de Serpa, Moura, Alvito) — os únicos verdadeiros eram o Paço dos Infantes (demolido 1895) e a Casa dos Corvos (demolida 1897).2
Fontes
- O Palácio dos Maldonados (Leonel Borrela)
- Heráldica Pacense XII-XV — Tumulária Medieval e Inventários (Leonel Borrela)
- Palácio dos Maldonados (Ricardo Pereira, 2001)
Tags
palacio barroco idade-moderna beja