Cupa de Baleizão (Dias et al., 2020)
Artigo de Maria Manuela Alves Dias, Ricardo de Balbín-Bueno, Catarina Gaspar e Helena Gimeno que publica novos dados sobre a cupa funerária FE 747, encontrada em Baleizão e actualmente conservada na zona industrial de Serpa.
História do monumento
A peça já tinha sido publicada por José D’Encarnação, com fotografia mas sem leitura, no capítulo dedicado à epigrafia da obra Arqueologia de Serpa, de 1997. A proveniência era então desconhecida.
A revisão efectuada em 2019 permitiu apurar que a cupa fora encontrada mais de vinte anos antes em Baleizão. Estava reutilizada como elemento de construção numa casa de um monte que, na altura, era demolida. O responsável pela descoberta recolheu-a e levou-a para as instalações da sua empresa, na zona industrial de Serpa, onde permanece colocada na vertical.
O monte não é identificado na publicação. Também não se conhece o local da sepultura romana de onde a peça saiu antes de ser reaproveitada na construção.
Monumento
A cupa foi talhada em mármore da região. Mede 96 cm na maior dimensão conservada e cerca de 74 cm na outra. O campo epigráfico, delimitado por uma moldura dupla, mede 24 por 28 cm e as letras têm cerca de 4 cm.
A reutilização como elemento construtivo, e possivelmente como peso de lagar, levou ao corte de grande parte do lado esquerdo e de parte do direito. O topo direito apresenta uma abertura circular. A zona inferior foi desbastada e não permite confirmar a existência de soco. Apesar dos danos, conservam-se as aduelas centrais que contornam o campo epigráfico.
Inscrição
Os autores propõem a seguinte leitura:
[D(is) M(anibus)] s(acrum)
[---]++R
[---]avus
[---]++
h(ic) s(itus/-a) e(st) s(it) t(ibi) t(erra) l(evis)Em português, apenas as fórmulas permitem traduzir com segurança: “Consagrado aos deuses Manes. […] Aqui jaz. Que a terra te seja leve.”
Leitura e incertezas
Da primeira linha conserva-se parte do S final da consagração aos deuses Manes. Na segunda linha, os vestígios são insuficientes para reconhecer as letras anteriores ao R. Os editores admitem que poderia tratar-se de um gentilício terminado em -rius, continuado pelo grupo VS na linha seguinte, mas a restituição não é segura.
No final da terceira linha parece conservar-se a sequência -vus, que poderia pertencer ao cognome Flavus, muito comum na Lusitânia. A quarta linha mantém apenas vestígios ilegíveis. A fórmula funerária final é a única linha preservada de forma suficientemente clara.
Não é possível determinar o nome, o sexo ou a idade da pessoa sepultada.
Datação
O tipo de monumento e as fórmulas funerárias apontam para a segunda metade do século II ou a primeira metade do século III d.C. A cronologia é uma proposta tipológica e epigráfica.
Entidades mencionadas
- Pessoas: Maria Manuela Alves Dias · Ricardo de Balbín-Bueno · Catarina Gaspar · Helena Gimeno · José D’Encarnação
- Locais: Cupa de Baleizão (FE 747) · Baleizão
- Temas: Ficheiro Epigráfico · Cupae Romanas de Beja · Epigrafia Romana de Beja · Conventus Pacensis
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Como citar
Referência (APA): Dias, Maria Manuela Alves, Balbín-Bueno, Ricardo de, Gaspar, Catarina, & Gimeno, Helena (2020). Cupa de Baleizão, Beja (Conventus Pacensis). Ficheiro Epigráfico, (206), inscrição 747, 9-12.