Igreja da Misericórdia
Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Beja, na Praça da República. Monumento Nacional (Dec. 1933).
Origem: a loggia dos açougues (c. 1548-1550)
Encomendada pelo 5.º Duque de Beja, Infante D. Luís (filho de D. Manuel I), foi obra de um arquitecto da Renascença ainda por identificar.1
O edifício não nasceu como igreja, mas como a loggia dos açougues (mercado/talho municipal), encomendada pelo Infante D. Luís (Duque de Beja) como obra pública renascentista “à antiga”.2 O fino tratamento exterior atribui-se a Diogo de Torralva, com modelos italianos (Bramante, Sansovino).2 Só depois foi convertida em igreja da Misericórdia — uma Hallenkirche (“igreja-salão”).2 Um restauro da DGEMN (séc. XX) reverteu parte da feição de loggia (“restaurou o mercado e destruiu a igreja”, Kubler).2
Classificação e vicissitudes
- Classificação como Monumento Nacional (Dec. n.º 22 744, de 27 Jun 1933) — iniciativa de Diogo F. Castro e Brito.3
- Na 1.ª República serviu de carpintaria municipal; c. 1920 foi-lhe sobreposto um depósito de água, obrigando a colocar esticadores nas paredes para as abóbadas não ruírem com o peso.3
- Obras polémicas da D.G.E.M.N. (1941–1958) “apagaram quase toda a história da igreja”, condenando pinturas, talhas douradas, azulejos, estuques e caixotões da Casa da Irmandade.3
Recheio artístico
Peças recolhidas no Museu Regional: quatro pinturas maneiristas de António Nogueira (1564), uma “Virgem no Templo” (quinhentista, anónima), um “Juízo Final” de Bento Coelho da Silveira e o púlpito de madeira policroma, maneirista, “raríssimo em Portugal”.3 Algumas talhas foram reaproveitadas na Igreja de Santo António (Patronato).
Retábulo-mor: a origem em Silves
Nas obras de restauro da DGEMN de 1955, Rui Couto (Arq.) transportou do Castelo de Silves talha em depósito para montar o altar-mor — a talha original da Misericórdia tinha sido cedida na quase totalidade para a Igreja de Santo António (Patronato). Francisco Lameira (2005) identificou este retábulo como proveniente da Capelinha do Santíssimo Sacramento da Sé de Silves; a ficha SIPA matiza que apenas as pilastras do 2.º registo poderão ter sido reutilizadas.4
Pintura de André Reinoso
O decreto da ZEP (1956) especifica especificamente como protegido “o primeiro altar do lado do Evangelho, a contar da porta de entrada, ainda do século XVI, bem como o primeiro e respectiva pintura, obra de Reinoso”. André Reinoso deixou assim obras tanto nesta igreja como no Hospital de Nossa Senhora da Piedade.4
História posterior
Em 1670, foi nesta igreja que os Jesuítas pregaram quando chegaram a Beja em missão — tendo depois ficado e recebido a Igreja de S. Sisenando em 1673.5
Fontes
- Mais um Documento Iconográfico da Igreja da Misericórdia (Leonel Borrela, 2008) — fotografia da colecção Marrecas; arquitecto renascentista ainda não identificado
- A Igreja da Misericórdia de Beja — uma Hallenkirche (Susana Matos Abreu) — a arquitectura e a origem como açougues
- Beja no Anno de 1845 (José Silvestre Ribeiro)
- A Igreja da Misericórdia de Beja (Leonel Borrela, 1997) — história, recheio artístico e análise arquitectónica (série de 3 artigos)
- Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Beja (Isabel Mendonça, 1993) — IPA, ZEP, retábulo de Silves, intervenções DGEMN 1941-1956
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Footnotes
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Mais um Documento Iconográfico da Igreja da Misericórdia (Leonel Borrela, 2008) ↩
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A Igreja da Misericórdia de Beja — uma Hallenkirche (Susana Matos Abreu) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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A Igreja da Misericórdia de Beja (Leonel Borrela, 1997) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Beja (Isabel Mendonça, 1993) ↩ ↩2