Alterações de Beja de 1637
Revolta popular antifiscal em Beja, parte das “Alterações” do Alentejo (também conhecidas como o Motim da Manuelinha, com epicentro em Évora) contra as imposições fiscais da política de Olivares durante a União Ibérica.
Causas
Em 1637 o poder régio decretou um donativo geral, o real de água e o aumento do cabeção das sisas, com inventariação prévia da riqueza — o que pôs o contribuinte em contacto directo com o fisco.1
Os acontecimentos (30 Ago – 2 Set 1637)1
- Revolta inicia-se em Évora a 21 de Agosto; alastra a mais de metade do país
- Dom. 30 Ago — o povo queima as casas do juiz de fora, do corregedor, a Casa de Távola e a Casa do Real de Água; o vigário-geral e os capuchos do Convento de S. António saem com o Santíssimo em procissão até à Igreja da Misericórdia
- Seg. 31 Ago — ao grito de “Água do povo!”, novo motim; procissão até ao Convento de Santo António onde os juízes se refugiaram
- Ter. 1 Set — edital exige a entrega dos registos do real de água; bandeira vermelha; elegem-se quatro procuradores do povo
- Qua. 2 Set — lavra-se o termo; elegem-se 24 zeladores da paz por freguesia
- Destruição selectiva: não queimaram cartórios — arrancaram só 6 folhas (as do real de água) do Livro das Actas de 1635; o escrivão Francisco Fialho Guedes anotou o facto
- A Câmara desvalorizou depois o motim (“amotinado por meninos mosos e negros”)
Movimento popular, urbano e antitributário, sem cabecilhas conhecidos. Antecedente directo da Restauração de 1640.2
Fontes
- O Motim Popular de Beja em 1637 (Emília Salvado Borges) — o estudo de referência
- Elites Urbanas e Poder Local em Beja no Reinado de Filipe III (Joaquim Mósca)
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