Placa Funerária de Santa Maria (D’Encarnação e Lopes, 2001)

Artigo de José D’Encarnação e Maria da Conceição Lopes, publicado como inscrição n.º 298 do Ficheiro Epigráfico n.º 66, sobre um fragmento de placa funerária encontrado na Fonte Figueira, freguesia de Santa Maria, em Beja.

Achado e peça

O proprietário Manuel Graça Mata encontrou o fragmento durante obras de consolidação de um dos edifícios da Quinta da Fonte Figueira. Os autores observaram a peça, mas não indicam no artigo o seu paradeiro posterior.

  • Fragmento da parte superior de uma placa funerária romana.
  • Mármore do tipo Estremoz-Vila Viçosa.
  • Lado esquerdo incompleto; não é possível determinar se a placa tinha moldura.
  • Dimensões conservadas: 16 x 38 x 11 cm.

Inscrição

[I]VLIA (hedera) LVPINI / [F(ilia) (?)] (hedera) (?) [T]VSCA (vel [F]VSCA) (hedera) SI/[BI] (?) [...]

Júlia Tusca ou Fusca, filha de Lupino, para si (?) (…).

O gentilício Iulia é seguro. O cognome pode ser Tusca ou Fusca, pois o início da segunda linha perdeu-se. A sequência final SI/[BI] poderá ter continuado como SIBI ET SVIS, “para si e para os seus”, fazendo da peça a memória de um jazigo familiar, mas esta restituição é apenas uma hipótese.

A paginação é cuidada, com provável uso de linhas auxiliares. As letras actuárias foram gravadas a buril com corte em bisel; folhas de hera separam as palavras e funcionam também como elementos decorativos.

Júlia e Lupino

Os autores interpretam a defunta como uma mulher indígena romanizada. O nome romano Iulia convive com o hábito indígena de indicar a filiação através do nome único do pai.

Lupinus aparece aqui pela primeira vez no Conventus Pacensis e na Lusitânia. A raridade do antropónimo torna a inscrição um testemunho importante da aculturação onomástica no território de Pax Iulia.

A paleografia e o modo de identificação sustentam uma datação em meados do século I d.C.

A villa da Fonte Figueira

Abel Viana já tinha referido vestígios romanos no local. Maria da Conceição Lopes identificou na Quinta da Fonte Figueira uma villa com:

  • cerâmicas;
  • materiais de construção;
  • elementos arquitectónicos;
  • paredes romanas ainda visíveis junto à habitação e aos anexos;
  • dispersão de materiais por cerca de 12 000 m².

A villa situava-se cerca de 1500 metros a noroeste da Estação Ferroviária de Beja, local associado à necrópole da estação. Integrava o conjunto de estabelecimentos rurais que rodeava a cidade.

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Como citar

Referência (APA): D’Encarnação, José, & Lopes, Maria da Conceição (2001). Placa funerária de Santa Maria (Beja). Ficheiro Epigráfico, (66), inscrição 298.

Acesso

Tags

Arqueologia Epigrafia Romano