Teatro Pax-Júlia

Edifício de teatro no centro histórico de Beja, inaugurado em 1928 após décadas de esforço associativo da população bejense. O nome homenageia a designação romana da cidade: *Pax Iulia*.

Antecedentes: o Hospício de Santo António

O terreno (c. 1 300 m²) foi adquirido em 21 de Dezembro de 1862 por Manuel Eleutério de Castro Ribeiro (Visconde da Corte) por 522$00 réis: comprou a Igreja e o Hospício de Santo António, situados entre a Rua da Conceição (actual Rua Visconde da Boavista) e a Rua Tomás Vieira.1

Durante as obras de fundação em 1866 encontraram-se, a c. 3 m de profundidade, vestígios romanos: pavimento de xadrez em mármore branco e vermelho, pedestais, sepulturas, um anel do tempo de Cláudio, moedas, quatro urnas com medalhas, um cipo funerário, e uma lápide com inscrição latina sobre Pax Julia — que foi picada e reutilizada como soleira de porta numa casa fronteira à Rua de Santo António (perdida). Nos alicerces da esquina foram selados documentos e moedas de D. Luís (1866).1

Cronologia

DataEvento
1860Primeiras reclamações na imprensa pela construção de um teatro (O Bejense, n.º 18)
21 Dez 1862Manuel Eleutério de Castro Ribeiro (Visconde da Corte) adquire o Hospício e Igreja de Santo António por 522$00 réis1
10 Ago 1866Início das obras; Associação Construtora formada1
1876Estatutos da Sociedade Theatral Bejense (Rua da Cadeia Velha, n.º 17)
26 Jun 1913Inauguração do Éden Teatro de Beja na Praça Jacinto Freire de Andrade — animatógrafo com orquestra (maestro Manuel Lourenço Romeiro); empresa de Luís Pereira e Companhia2
1917Reunião da Direcção define o nome: vota-se “Teatro Bejense”, mas aceita-se Pax-Júlia
1922Éden Teatro desmontado, abrindo caminho para a construção definitiva2
1926Teatro entregue à firma Castelo Lopes Lda. para conclusão das obras
19 Dez 1928Inauguração pela actriz Ilda Stichini, “Glória do Teatro Português”
1950Obras de remodelação para cinema; lotação de 1 250 lugares3
2 Jan 1952Reinauguração como Cine-Teatro Pax-Júlia; Cia. Amélia Rey Colaço / Teatro D. Maria II
2 Nov 1990Último espectáculo não cinematográfico (fadista Gonçalo da Câmara Pereira)
c. 2000Remodelação pela empresa Contacto; descoberta de fragmento visigótico (pilastra de mármore decorada com flores de quatro pétalas, similar a peça n.º 50 do Núcleo Visigótico) embutido na parede do átrio; Borrela alerta para outros fragmentos nas paredes espessas4
1999–2000Obras de recuperação ao abrigo do programa Rede Nacional de Teatros e Cine-Teatros (proj. M. Francisca Romão; arquitectura cénica: Espaço, Tempo e Utopia)3
2002Edifício em obras de restauro e readaptação

Locais provisórios antes da inauguração

Enquanto o teatro permanente não existia, os espectáculos realizavam-se no Convento de S. Francisco, na sala da Escola Normal (Largo do Salvador), na Rua da Moeda e em casa do tipógrafo António Inácio de Sousa Porto.

Fontes

Tags

equipamento

Footnotes

  1. O Teatro Pax-Júlia I (Leonel Borrela, 1999) 2 3 4

  2. Beja Republicana — Um Roteiro Republicano da Cidade (Carlos Lopes Pereira, 2020) 2

  3. Cine-Teatro Pax Julia (Filomena Bandeira, 2003-2006) 2

  4. Encontrada uma Pilastra nas Obras do Pax Julia (Leonel Borrela, 2000)

  5. A Vida Cultural em Beja no Séc. XIX — Teatro Pax-Júlia (Maria J. P. Nunes)