Senhores e Escravos no Alentejo, Séc. XVI-XVII (Jorge Fonseca) — conteúdo de Beja

Estudo de Jorge Fonseca sobre a escravatura no Alentejo nos dois primeiros séculos da época moderna. O Alentejo foi das regiões com maior peso de escravos, e Beja surge entre os casos mais documentados. Ver o tema Escravatura em Beja (séc. XVI-XVII).

⛓️ Uma dimensão social de Beja que faltava à base: a presença escrava (séc. XVI-XVII) e as relações entre senhores e escravos.


Quadro geral

  • No Alto e Baixo Alentejo os escravos constituíam ~6% da população no séc. XVI (vs ~10% em Lisboa e no Algarve), com maior incidência a sul, pela proximidade do Algarve
  • Predominantemente africanos (após o tráfico quatrocentista), sucedendo aos mouros norte-africanos e granadinos; o número decresce ao longo do séc. XVII
  • Mentalidade de desconfiança: legislação régia e regulamentos municipais procuravam controlá-los (porte de armas, roubos, ajuntamentos)

Beja: regulamentos camarários

  • 1605 — a câmara de Beja proíbe “ajuntarem-se os negros e mulatos cativos e não cativos e fazerem bailas (…) nem na praça nem fora dela”, por delas “se seguirem muitas desordens”
  • A câmara vedou aos estalajadeiros a compra de palha a negros cativos, e aos escravos a venda pelas estradas do que trouxessem do mato

Beja: casos documentados (cartórios notariais, ADB)

  • 1654 — Frei Manuel Luís de Arnelos, prior da paróquia de Santa Maria da Feira de Beja, liberta a escrava Francisca da Assunção “porquanto ela era sua filha”
  • 1637 — Gaspar Beirão, lavrador de Selmes (termo de Beja), ataca um homem “com seus criados e escravos”
  • Sebastiana, de Beja, comprou a sua liberdade e a do filho com dinheiro que “pediu pelo amor de Deus” nas festas religiosas
  • 1660 — Domingos Pais, lavrador de Baleizão (termo de Beja), compra por 35.000 rs a liberdade do filho Noutel (10 anos), que tivera da escrava Maria Cereja
  • 1683 — Luísa Correia, parda, de uma herdade do termo de Beja, paga 35.000 reais pela liberdade do marido Marcos, escravo

Estes casos ilustram as estratégias familiares de alforria e o papel das festas religiosas e da poupança (pecúlio) na obtenção da liberdade.


Entidades mencionadas

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Como citar

Referência (APA): Fonseca, Jorge (2002). Senhores e escravos no Alentejo, séc. XVI-XVII. Ler História, (43), 39-55.

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