Museu de Cenáculo e Vidros Romanos de Beja (Leite de Vasconcelos, 1899–1902)
Dois breves artigos de Leite de Vasconcelos publicados na Série 1 d’O Arqueólogo Português — o primeiro (Vol. 4, 1899, pp. 283–285) sobre a inauguração do Museu de Cenáculo em Beja; o segundo (Vol. 7, 1902, p. 192) sobre dois vidros romanos da cidade.
1. Discurso da inauguração do Museu de Cenáculo em Beja, 1791 (pp. 283–285)
Resumo de um manuscrito existente na livraria do Visconde da Esperança, na quinta da Manisola (arredores de Évora), catalogado como: “Oração do Museu, dita em 16 de Março de 1791 perante D. Fr. Manuel do Cenáculo, na inauguração do Museu Cenáculo Pacense, fundação do grande homem. Anónimo.”
Leite de Vasconcelos visitou a Manisola em 21 de Agosto de 1898, acompanhado por Francisco António Barata, e extractou o manuscrito (20 páginas em papel, com muitas emendas — o que indica que é o original, não uma cópia).
Atribui o discurso a Fr. José de S. Lourenço do Valle, amigo e colaborador do bispo D. Fr. Manuel do Cenáculo Vilas Boas, com base em referências internas a estudos particulares daquele frade, conhecidos por documentos existentes na Biblioteca Pública Eborense. O discurso divide-se em duas partes principais: a importância da arqueologia e a da história natural.
O Museu que Cenáculo fundou em Beja quando bispo da diocese continha:
- objectos arqueológicos;
- exemplares de etnografia moderna (“selvagem”);
- produtos de história natural.
A inauguração foi solene, com a presença do próprio prelado e de muitas outras pessoas. Do que sobrou do Museu de Beja, parte foi parar ao Museu de Évora quando Cenáculo foi transferido para aquela diocese.1
2. Vidros romanos de Beja (p. 192)
Dois objectos de vidro, supostamente romanos, achados em Beja junto da estação dos caminhos de ferro — área onde tinham aparecido vários vestígios romanos (cf. Necrópole da Estação de Beja).2
Conservados no Museu Etnológico Português (Lisboa):
- N.º 1 — fragmento de vaso de vidro branco ornamentado; ornamento no exterior do bojo.
- N.º 2 — conta azul com vestígios de estrias.
Ambos os objectos apresentavam vidro parcialmente decomposto. A nota é ilustrada com dois desenhos em tamanho natural.
Entidades mencionadas
Locais: Museu Rainha D. Leonor · Necrópole da Estação de Beja
Pessoas: Leite de Vasconcelos · D. Fr. Manuel do Cenáculo Vilas Boas · Francisco António Barata · Fr. José de S. Lourenço do Valle
Temas: Pax Iulia — Roma em Beja · Bispado de Beja
Documentos relacionados
- Museu de Beja e Inscrições Latinas (Leite de Vasconcelos, 1895) — Leite de Vasconcelos e o Museu de Beja (Vol. 1)
- Necrópole Romana da Estação de Beja (Leite de Vasconcelos e Sá, 1905) — mesma área da estação
Como citar
Leite de Vasconcelos, J. (1899). Discurso da inauguração do Museu de Cenáculo em Beja em 1791. O Arqueólogo Português, 4, 283–285.
Leite de Vasconcelos, J. (1902). Vidros romanos de Beja. O Arqueólogo Português, 7, 192.