Epígrafes do Monte do Olival dos Frades (Jorge Feio, 2021)
Artigo de Jorge Feio sobre três monumentos romanos conservados no Monte do Olival dos Frades, na freguesia de Baleizão, concelho de Beja. As peças foram publicadas como inscrições 764-766 do Ficheiro Epigráfico n.º 213.
Proveniência e contexto
Os monumentos encontravam-se, em 2021, na posse de Amélia Castelo Branco, no Monte do Olival dos Frades, e estavam na família havia mais de trinta anos. Os ascendentes da proprietária detiveram uma extensa propriedade centrada na Quinta do Paço do Conde e que abrangia também o Vale de Alcaide.
Não se conhecem os contextos arqueológicos exactos em que as três peças foram recolhidas. A área envolvente contém vários assentamentos romanos e, por isso, os monumentos podem provir de diferentes pontos da antiga propriedade. A semelhança entre a base de coluna aqui publicada e outra conservada na Quinta do Paço do Conde também não demonstra uma proveniência comum.
José Suzano e Fernando Valente indicaram a existência e a localização das peças a Jorge Feio. Guilherme Cardoso realizou as fotografias e apoiou o estudo, no qual colaborou também Maria Luísa Batalha.
Ara funerária
A inscrição 764 corresponde à metade esquerda de uma ara funerária romana, talhada em mármore de veios cinzentos de Trigaches. O fragmento conserva 87,5 cm de altura.
No capitel subsistem um toro e parte do tímpano. Dois pequenos toros separam o capitel do fuste e outros dois marcam a transição para a base. O campo epigráfico rectangular conserva 27 cm de altura máxima e 14 cm de largura, mas o texto está demasiado desgastado para permitir uma leitura. Na face esquerda foi gravado um jarro do tipo lagoena.
Base de coluna com inscrição
A inscrição 765 é uma base de coluna de mármore cinzento de Trigaches. O plinto quadrangular, praticamente completo, mede 37 cm de lado e 5 cm de altura. A base circular tem 20 cm de altura e 31 cm de diâmetro.
Na superfície onde assentava o fuste foi gravado um V invertido seguido de quatro hastes verticais:
V invertido IIIIO autor admite, com dúvida, a leitura novem (“nove”). A marca poderia servir para definir a posição da base, indicar o fuste que lhe correspondia ou, menos provavelmente, identificar o trabalho de um canteiro. As letras medem 5 cm e estão separadas por intervalos de 2 cm.
A tipologia da base aponta para uma cronologia em torno do século I d.C.
Base de ara ou de cipo
A inscrição 766 corresponde a uma base de ara ou de cipo, também em mármore de veios cinzentos de Trigaches. Mede 19 por 43 por 31 cm. A publicação não descreve texto conservado nem propõe uma datação mais precisa do que a atribuição geral à época romana.
Limites da interpretação
As três peças documentam a presença de monumentos romanos na paisagem rural de Baleizão, mas não permitem localizar os contextos onde foram originalmente usados. A associação a uma villa específica, a uma necrópole ou a qualquer dos assentamentos conhecidos permanece por demonstrar.
Entidades mencionadas
- Pessoas: Jorge Feio · Amélia Castelo Branco · José Suzano · Fernando Valente · Guilherme Cardoso · Maria Luísa Batalha
- Locais: Monte do Olival dos Frades · Ara Funerária do Monte do Olival dos Frades · Base de Coluna Epigrafada do Monte do Olival dos Frades · Base de Ara ou Cipo do Monte do Olival dos Frades · Baleizão · Quinta do Paço do Conde · Vale de Alcaide · Trigaches
- Temas: Ficheiro Epigráfico · Epigrafia Romana de Beja · Villae Romanas do Território Pacense
Documentos relacionados
- Cupa da Herdade do Passo do Conde (D’Encarnação e Feio, 2019) - monumentos funerários e vestígios romanos da propriedade vizinha
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- Cupa de Baleizão (Dias et al., 2020) - outro monumento funerário romano de proveniência imprecisa dentro da freguesia
Como citar
Referência (APA): Feio, Jorge (2021). Epígrafes do Monte do Olival dos Frades, Baleizão, Beja (Conventus Pacensis). Ficheiro Epigráfico, (213), inscrições 764-766, 14-16.