Um Arco Triunfal romano entre as ruas dos Infantes e do Touro? (Leonel Borrela, 2012)

Manuscrito de um artigo de Leonel Borrela, preparado em Fevereiro de 2012 para a série Iconografia Pacense. Retoma a hipótese de um arco triunfal romano no extremo nascente do fórum de Pax Iulia, relacionando elementos arquitectónicos encontrados entre a Rua dos Infantes, a Rua do Touro, a antiga Rua da Torrinha, a Igreja de S. João Baptista e as antigas portas medievais de Aljustrel. O exemplar não indica o número nem a data exacta da edição impressa.

Distribuição dos achados

O argumento de Borrela organiza-se a partir de seis pontos assinalados numa planta parcial da cidade:

  1. Na Rua dos Infantes n.º 16, o grande coríntio de dois blocos, outro capitel coríntio de folhas lisas, parte de um fuste liso com cerca de 85 cm de diâmetro e estruturas de opus quadratum aparentemente conservadas no local.
  2. Na Rua do Touro, próximo dos números 13 e 15, um capitel coríntio de folhas lisas e uma cabeça de touro, recolhidos em 2005.
  3. Na mesma rua, um grande capitel compósito de coluna, relacionado formalmente com o conjunto.
  4. No início da parte superior da antiga Rua da Torrinha, entretanto desaparecida, dois grandes fragmentos de cornija.
  5. Na abside da Igreja de S. João Baptista, duas cabeças de touro, hoje no Museu Regional de Beja.
  6. Nas antigas portas medievais de Aljustrel, integradas no sistema das fortificações de Beja, outro grande capitel compósito, menos bem conservado e reutilizado como pia.

Borrela apoia a relação entre as peças na proximidade dos locais, na escala e na afinidade plástica do trabalho. A proposta de que o capitel reutilizado nas portas de Aljustrel teria sido transportado desde a zona do fórum é uma conjectura do autor.

Datação dos capitéis

O grande capitel adossado é situado por Jorge de Alarcão e Antonieta Ribeiro entre o final do século I e o início do século II. O capitel coríntio de folhas lisas da Rua dos Infantes, com cerca de 60 cm de altura, fora datado por Ribeiro do final do século III.

Borrela propõe rever esta última cronologia para o final do século I, por considerar que o capitel, o exemplar semelhante da Rua do Touro, as cabeças de touro, as cornijas e os capitéis compósitos pertenciam a um mesmo monumento. A revisão depende da associação formal e espacial sugerida pelo autor, não de um contexto estratigráfico comum demonstrado.

Hipótese do arco triunfal

A comparação principal é a porta de Adriano em Éfeso, onde capitéis compósitos articulam colunas, pilastras e meias colunas. Borrela usa esse paralelo para imaginar um arco monumental no extremo oriental do fórum, voltado para uma das principais vias da cidade romana.

O artigo não documenta a descoberta das fundações nem do vão de um arco. A identificação do monumento e a reunião das peças num único programa construtivo permanecem hipóteses de reconstituição arquitectónica. O texto também recorda a possível quinta porta romana, já apresentada pelo autor em 2006, sem acrescentar uma escavação que confirme essa leitura.

Entidades mencionadas

Leonel Borrela · Pax Iulia - Roma em Beja · Forum de Pax Iulia · Capitéis Romanos de Beja · Cabeças de Touro de Beja · Rua dos Infantes · Rua do Touro · Torrinha · Igreja de S. João Baptista · Museu Rainha D. Leonor · Quinta Porta Romana de Beja · Jorge de Alarcão · Antonieta Ribeiro

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Como citar

Referência (APA): Borrela, Leonel (c. 2012). Um Arco Triunfal romano entre as ruas dos Infantes e do Touro? Diário do Alentejo - Iconografia Pacense [manuscrito de artigo].

Tags

Arqueologia Arte Urbanismo Romano