O Grande Capitel Adossado Compósito de Pax Ivlia (Leonel Borrela)
Artigo de Leonel Borrela (Diário do Alentejo, 3 de Fevereiro de 2012), subtitulado “…e a sua contextualização arqueológica”. Regressa, quase 30 anos depois da sua primeira carta de 1983, ao grande capitel adossado compósito/coríntio d’Os Infantes, com novos dados e uma importante distinção arqueológica.
O capitel — dimensões e raridade
- Espécime único do espólio do Museu Regional de Beja: dois blocos marmóreos sobrepostos, máximos de 1 m de altura × 1,7 m de largura × 1,6 m de profundidade;
- “Um dos maiores capitéis do Império Romano”, e raro por associar, no mesmo elemento, as ordens compósita e coríntia;
- Descoberta fortuita na Rua dos Infantes n.º 16, em 1982; datável de finais do séc. I d.C., dinastia dos Flávios (cronologia de Antonieta Ribeiro).
O “fio condutor” — um programa construtivo único
Borrela reúne os achados da área (entre as ruas do Touro, dos Infantes, antiga da Torrinha e ábside da Igreja de S. João Baptista) como pertencentes provavelmente a um mesmo programa construtivo:
- O capitel coríntio de folhas lisas (Infantes, 1982) e o gémeo da Rua do Touro (Agosto 2005);
- Várias cabeças de touro: a “espetacular” da Rua do Touro (2005), duas no MRB (vindas da ábside de S. João), uma na torre sineira camarária, outra mutilada numa torre da muralha da Rua Capitão João Francisco de Sousa, e um fragmento do antigo Paço Episcopal (Maio 1995);
- Fustes lisos (~85-90 cm de diâmetro), grandes capitéis compósitos (Rua do Touro e Portas de Aljustrel), duas cornijas da Rua do Touro, troços de entablamento na praça de armas do castelo.
- In situ, no local do grande capitel, ficaram blocos aparelhados que poderão ser parte do podium.
O edifício seria grandioso — provável Arco de Triunfo no extremo leste do fórum —, mas Borrela admite agora outras hipóteses de “encaixe”: a Cúria ou o Capitólio.
Distinção: NÃO é o templo redescoberto
Ponto novo e importante: estes elementos não pertencem ao templo recentemente redescoberto nas prospeções do fórum por Conceição Lopes (avaliado como um dos maiores da península hispânica). O contexto e estado de conservação são “substancialmente diferentes” — a envolvência do templo foi “pedreira” durante séculos (islâmicos, leoneses, portugueses).
Comparação e detalhes plásticos
- Aponta a Porta de Adriano em Éfeso (Turquia) como edifício real onde um capitel compósito semelhante assenta sobre pilares e colunas — para imaginar a monumentalidade do edifício bejense;
- Análise da economia de meios romana: pormenores deixados esboçados/lisos onde não se distinguiam do solo; o equino horizontaliza os óvulos para serem vistos de baixo (pista da posição do capitel no edifício).
Entidades mencionadas
Leonel Borrela · Capitéis Romanos de Beja · Rua dos Infantes · Rua do Touro · Museu Rainha D. Leonor · Cabeças de Touro de Beja · Igreja de S. João Baptista · Rua do Cativo · Forum de Pax Iulia · Templo Romano de Pax Iulia · M. Conceição Lopes · Antonieta Ribeiro · Abel Viana · Pax Iulia — Roma em Beja · Tito Flávio Vespasiano
Documentos relacionados
- Iconografia Pacense — Índice das Edições (Leonel Borrela)
- Os Capitéis Romanos da Rua dos Infantes (Leonel Borrela) — a carta de 1983
- O Último Grande Edifício Romano de Beja (Leonel Borrela) — a reconstituição do arco triunfal (2006)
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes)
Como citar
Referência (APA): Borrela, Leonel (2012). O Grande Capitel Adossado Compósito de Pax Ivlia. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).