Praça da República de Beja — Acompanhamento Arqueológico (Maria Adelaide Pinto, 2007)

Relatório de Maria Adelaide Pinto sobre o acompanhamento arqueológico das obras de remodelação da Praça da República (Beja) (Programa POLIS) — o registo científico que faltava sobre o subsolo da praça principal de Beja, no ponto mais alto da cidade (~280 m).

🏛️ Confirma a ocupação multi-milenar do coração de Beja: vestígios romanos (com opus signinum), da Idade do Ferro e islâmicos sob a praça moderna.


A praça e a sua história

  • Centro político, administrativo e comercial de Beja desde cedo
  • A praça actual deve-se a D. Manuel I (2.º duque de Beja), que custeou a sua abertura — então chamada “Praça Nova” / Terreiro de D. Manuel I (origem provável do 1.º nível de pavimento, de terra compactada)
  • Palco de feiras durante séculos (os pavimentos têm orifícios dos arcos das feiras); junto à “casa dos aços” um alicerce poderá ter pertencido ao chafariz manuelino

Os vestígios arqueológicos (acompanhamento + 6 sondagens)

  • Romano: estruturas pétreas orientadas em relação à praça (quadrante SE); um forte embasamento (sondagem 1) com negativos de assentamento de grandes lajes, de provável cronologia romana; parte de um pavimento de opus signinum com tesselas incrustadas
  • Idade do Ferro: duas estruturas de pedra seca (orientação E/W, blocos dioríticos; sondagens 2 e 5), indício de ocupação antiga
  • Islâmico: níveis de entulho com predominância de materiais islâmicos
  • Moderno/contemporâneo: vários níveis sequenciais de pavimento (tijolo, argamassa), sob a calçada portuguesa
  • Espólio recolhido de cronologia muito abrangente — da Idade do Ferro à época contemporânea

A praça situa-se na zona provável do fórum de Pax Iulia, o que enquadra os vestígios romanos.


Entidades mencionadas

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Como citar

Referência (APA): Pinto, Maria Adelaide (2007). Praça da República de Beja – acompanhamento arqueológico. Vipasca – Arqueologia e História, 2.ª série, (2), 519-530.

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arqueologia romano praca-largo urbanismo beja