Cerâmica Islâmica de Beja
A cultura material cerâmica da Beja islâmica, conhecida sobretudo pela colecção da Rua do Sembrano (217 fragmentos, séc. IX/X-XII), estudada por Helena Casmarrinha (2013).
Tipologias
- Loiça de mesa (predominante): taças e tijelas, jarros, bilhas1
- Contentores de fogo: candis (lucernas), candeias1
- Vasilhame de armazenamento/transporte: potes, cântaros, talhas estampilhadas1
- Loiça de cozinha; peças de uso artesanal (trempes)1
Técnicas e decoração
- Vidrados melados (negro/castanho), verde e negro, corda seca (total e parcial) - peças de luxo, de quem tinha poder económico1
- Talhas estampilhadas (séc. XII): motivos geométricos, fitomórficos, epigráficos; para manter a água fresca, em lugar de destaque (pátio)1
Proveniência e comércio
- Pastas com micáceos (ausentes na geologia local) → importação1
- Centros produtores prováveis: Sevilha, Málaga; chegavam via porto de Silves → Guadiana → Mértola → Beja1
- Paralelos: Mértola, Silves, Alcácer do Sal, Noudar, Niebla, Sevilha, Lisboa, Palmela1
A presença destas peças de luxo indicia famílias abastadas residentes (árabes, muladis ou moçárabes); o fim do material luxuoso no séc. XII coincide com o abandono da cidade pelas grandes famílias à aproximação cristã.
Recolha na Barreira
Abel Viana afirma ter recolhido em 1939, na Barreira, fragmentos de vasilhas de tradição árabe. A notícia é um testemunho directo, mas não inclui contexto estratigráfico, inventário ou descrição individual das peças.2
Fontes
- Materiais Islâmicos do Sítio da Rua do Sembrano (Helena Casmarrinha)1
- Denários do Museu Regional de Beja (Abel Viana, 1955)2