Bibliotheca Lusitana - Manuel Feio (Diogo Barbosa Machado, 1752)

Entrada biobibliográfica dedicada a Manuel Feio, publicada por Diogo Barbosa Machado no terceiro tomo da Bibliotheca Lusitana. O texto ocupa a página 261 da edição de Lisboa de 1752 e reúne notícias sobre a actividade do sacerdote em Beja, a devoção a S. Sisenando e uma obra manuscrita que lhe é atribuída.

Manuel Feio e a Igreja do Salvador

Barbosa Machado apresenta Manuel Feio como natural de Beja, prior da Igreja do Salvador durante quarenta anos e um dos pregadores célebres do seu tempo. Não indica as datas de nascimento, morte ou início do priorado.

O texto reproduz uma inscrição que Manuel Feio teria mandado abrir numa pedra no coro da igreja:

Magister Emmanuel Feyo / Hujus Ecclesiae Vicarius sibi, & suis / vivus posuit / de Facultate.

A inscrição identifica-o como vigário da igreja e declara que colocou em vida a memória para si e para os seus, com autorização.

Devoção a S. Sisenando

Segundo Barbosa Machado, Manuel Feio era devoto de S. Sisenando e obteve, à sua custa, uma bula de Clemente VIII, datada de 13 de Maio de 1598, para que a cidade de Beja pudesse rezar ao mártir. O prior convocou ainda o Senado de Beja para que este assumisse a administração da irmandade do santo.

Em 18 de Outubro de 1600, Manuel Feio teria doado uma imagem de S. Sisenando que se encontrava na Igreja do Salvador. A notícia refere a imagem, não a relíquia do santo, pelo que os dois objectos não devem ser confundidos.

Obra atribuída

A entrada atribui a Manuel Feio uma Vida de S. Sisenando Mártir, composta em verso. Em 1752, o manuscrito estaria conservado no Colégio dos Padres Jesuítas de Beja. Barbosa Machado não informa se consultou directamente o manuscrito nem identifica a sua proveniência anterior.

Confronto cronológico

A cronologia publicada pelo SIPA para a Sé de Beja atribui a 13 de Fevereiro de 1598 a canonização ou aprovação do culto de S. Sisenando por bula de Clemente VIII. A Bibliotheca Lusitana apresenta 13 de Maio. Sem consulta do diploma pontifício, não é possível determinar se se trata de actos diferentes ou de divergência na transmissão da data.

Para 1600, a mesma ficha SIPA regista o depósito da relíquia de S. Sisenando na Igreja do Salvador em 25 de Junho, a pedido de Manuel Feio. Barbosa Machado descreve outro acto, a doação de uma imagem em 18 de Outubro. A literatura citada pelo SIPA também varia entre 1600, 1601 e 1602 para a chegada ou colocação da relíquia.

Valor documental e limites

A entrada oferece uma notícia desenvolvida sobre Manuel Feio e documenta a memória setecentista da sua intervenção no culto de S. Sisenando. Foi publicada cerca de cento e cinquenta anos depois dos acontecimentos narrados e não transcreve a bula, o termo do Senado ou o auto de doação. As datas devem, por isso, permanecer atribuídas a Barbosa Machado quando não forem confirmadas por documentos coevos.

Entidades mencionadas

Documentos relacionados

Como citar

Referência: Machado, Diogo Barbosa (1752). “Manoel Feyo”. Bibliotheca Lusitana, historica, critica, e cronologica, tomo III. Lisboa: Officina de Ignacio Rodrigues, p. 261.

Tags

Religião Idade moderna