Denários do Museu Regional de Beja (Abel Viana, 1955)
Estudo de Abel Viana sobre a colecção de moedas romanas de prata do Museu Regional de Beja, publicado no volume XII do Arquivo de Beja em 1955, embora o texto esteja datado de Beja, 1942. O artigo combina divulgação numismática, revisão dos achados romanos registados em Beja no século XVIII e inventário de um grande conjunto de denários republicanos adquirido para o museu.
A colecção do Museu Regional
Em meados de Novembro de 1941, José Formosinho, director do Museu Regional de Lagos, avisou Abel Viana de que um ourives ambulante oferecera na feira de Lagos 726 moedas romanas de prata. Formosinho não conseguiu adquiri-las para Lagos e propôs a compra pelo Museu Regional de Beja, por se tratar de património do Baixo Alentejo.
Viana comunicou o caso a André Bravo, presidente da Junta de Província do Baixo Alentejo, que autorizou as diligências. Sessenta exemplares já tinham sido vendidos a um particular residente em Lisboa; os restantes 666 denários foram adquiridos para o museu.
Composição
- Moedas da República Romana, ou consulares, com alguns exemplares classificados como «incertos».
- 69 famílias monetárias representadas.
- 117 tipos, sem contar variantes de marcas monetárias e moedas incusas.
- Segundo Viana, as 666 moedas eram quase todas diferentes, geralmente bem centradas e em excelente estado de conservação.
- O autor considerava o conjunto uma das colecções de denários consulares mais notáveis existentes em Portugal.
Proveniência: Mértola, não Beja
O tesouro não foi encontrado na cidade nem no concelho de Beja. Segundo o relato que o ourives transmitiu a Abel Viana, as moedas teriam aparecido dentro de uma vasilha soterrada, sob um alicerce antigo, na margem do Rio Guadiana, próximo de Mértola.
Esta proveniência deve ser usada com cautela: Viana não acompanhou a descoberta, não identificou o achador e declara que aqueles foram todos os dados que conseguiu obter. A relevância pacense é, portanto, museológica e institucional - a incorporação no Museu Regional de Beja - e não a origem arqueológica do conjunto.
Moedas encontradas em Beja no século XVIII
Viana reproduz e comenta a relação de 42 moedas registada por Félix Caetano da Silva e publicada em 1912 por Vergílio Correia. Compara as descrições setecentistas com os catálogos de Teixeira de Aragão e Ernest Babelon, propondo identificações para numerosos exemplares.
Esta parte retoma a relação publicada em Moedas Romanas Encontradas em Beja no Século XVIII (Vergílio Correia, 1912). O artigo de 1955 constitui uma revisão historiográfica dos achados da Rua Ancha, dos Olivais de Beja, da horta de São Miguel junto ao Convento do Carmo e da Quinta das Faias.
Menção arqueológica da Barreira
Numa nota sobre recipientes cerâmicos, Abel Viana afirma ter recolhido em 1939, na Barreira, fragmentos de vasilhas de tradição árabe. A referência é breve e não fornece localização mais precisa, contexto estratigráfico ou inventário, mas acrescenta um testemunho directo à arqueologia islâmica da cidade.
Entidades mencionadas
- Pessoas: Abel Viana · José Formosinho · André Bravo · Félix Caetano da Silva · Vergílio Correia · Teixeira de Aragão
- Locais: Museu Rainha D. Leonor · Barreira (Beja) · Rua Ancha (Beja) · Convento do Carmo · Museu Regional de Lagos · Mértola · Rio Guadiana
- Temas: Numismática Romana de Beja · Cerâmica Islâmica de Beja · Junta de Província do Baixo Alentejo
Documentos relacionados
- Moedas Romanas Encontradas em Beja no Século XVIII (Vergílio Correia, 1912) - fonte primária para a relação de moedas que Viana republica e comenta
- Museu de Beja e Inscrições Latinas (Leite de Vasconcelos, 1895) - antecedentes do inventário arqueológico do museu
- Abel Viana e a cidade de Beja (Leonel Borrela, 2007) - percurso de Viana no Museu Regional e na arqueologia da cidade
Como citar
Referência (APA): Viana, Abel (1955). «Denarii» do Museu Regional de Beja. Arquivo de Beja, XII, 140-163.