Heráldica Pacense VII-XI — Armas Reais, Castelo e Chafariz do Cano (Leonel Borrela)

Cinco artigos da subsérie Heráldica Pacense de Leonel Borrela (Diário do Alentejo, 1998-2001), centrados nos escudos de armas reais das muralhas, do castelo e de outros monumentos de Beja — da 1.ª dinastia (D. Dinis) aos Filipes.

VII — As armas manuelinas de Lisboa e a batalha de Goleta

  • Borrela corrige uma atribuição: a quadra azulejar armoriada do Museu do Azulejo (Madre de Deus, Lisboa) é de D. Manuel I (datável de 1498-1500), com a diferença de pendentes das armas de Aragão e Sicília — D. Manuel casou em 1498 com D. Isabel, herdeira presuntiva dos Reis Católicos, sonho imperial gorado pelo nascimento de um varão castelhano (que germinaria depois em Isabel→Carlos V→Filipe II).
  • Corrige também uma confusão sua entre as batalhas de Matapan (1717 e 1941) e a batalha de Goleta (Tunísia): o navio “Bota Fogo”, comandado por D. Luís, 5.º duque de Beja, rompeu as correntes do porto e desbaratou a frota de um dos irmãos Barba Roxa.

VIII — O escudo de 1674 do Chafariz do Cano

  • O Chafariz do Cano (Rua da Lavoura) ostenta um escudo de armas seiscentista, datado de 1674 (reinado de D. Pedro II), coroa real, suportado por uma cabeça de touro (provavelmente romana reaproveitada, de um friso de edifício pacense — como a do Museu de Évora) — “um dos símbolos máximos da cidade” a suportar as insígnias do poder.
  • Refere ainda outro escudo de 1639 (Filipe III de Portugal), em que a cabeça de touro, frontal, suporta o escudo nacional — leitura simbólica do domínio estrangeiro. Documenta o tanque por um desenho oitocentista de Francisco da Paula Graça.

IX — Armas da 1.ª dinastia no castelo

  • Escudo de armas da 1.ª dinastia (possivelmente posterior a D. Dinis, séc. XIV) na Praça de Armas do Castelo. Borrela nota que em Beja há vários escudos com cabeça de touro (frontal, de lado, corpo inteiro, ou — raro — dois touros).

X — O escudo de D. Dinis de 1307

  • Escudo de D. Dinis datado de 1307 (era de 1345), comemorando a construção de uma torre da fortificação (entre a Rua da Liberdade e as Portas de Aljustrel), estudado por Abel Viana (Arquivo de Beja, 1945).
  • Exposto no núcleo visigótico da basílica de Santo Amaro — pois no reverso tem decoração visigótica (peltas, rosetas, encordoados, séc. VI/VII), peça reaproveitada.
  • Inscrição em unciais góticas: “Era de mil e trezentos e quareenta e V anos se fez esta torre”.

XI — Outro escudo régio na alcáçova

  • Escudo de armas da 1.ª dinastia (séc. XIV), sem coroa nem inscrição, numa superfície de ~78×35 cm, de execução imperfeita (provável reaproveitamento de bloco de torre). Exposto na alcáçova do castelo, sob o túnel da praça de armas para a porta falsa.
  • Segundo um desenho de Rosa Junior (1894), integrava a fortificação junto à Capela de Nossa Senhora da Guia, sobre o arco romano de Avis, no Terreirinho das Peças.

Entidades mencionadas

Leonel Borrela · Heráldica Pacense · D. Dinis · D. Manuel I · Infante D. Luís · Chafariz do Cano · Praça de Armas do Castelo · Igreja de Santo Amaro · Núcleo Visigótico do Museu Regional de Beja · Cabeças de Touro de Beja · Capela de Nossa Senhora da Guia · Porta de Avis · Abel Viana · Francisco da Paula Graça · Rosa Junior · Brasão de Beja

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Como citar

Referência (APA): Borrela, Leonel (1998-2001). Heráldica Pacense VII-XI — Armas Reais, Castelo e Chafariz do Cano. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).

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