Paraíso na Arte Paleocristã
Na arte dos primeiros séculos do cristianismo, o paraíso era representado como um jardim associado à Árvore da Vida, aos rios e à fonte da vida. Árvores, flores, videiras, frutos, aves e outros animais podiam formar uma imagem simbólica do destino dos bem-aventurados.
Estes motivos circularam entre diferentes suportes, incluindo mosaicos, pintura mural, sarcófagos e escultura arquitectónica. A repetição das mesmas formas permitia transformar elementos vegetais e animais numa linguagem reconhecível sobre a salvação, o baptismo, a vida eterna e a vitória sobre a morte.1
O exemplo de Vale de Aguieiro
O Fuste Paleocristão de Vale de Aguieiro, do concelho de Beja, é um raro exemplo desta iconografia aplicada a uma coluna. A videira e os cachos de uvas envolvem toda a peça. Pequenas aves bicam os frutos e, junto de um cantharus com água e uvas, duas pombas atacam uma serpente.
Na leitura proposta por Jorge Feio, as pombas representam a alma, o Espírito Santo ou a comunidade cristã, enquanto a serpente simboliza a morte derrotada. As uvas evocam os fiéis e o sangue de Cristo, e a água do vaso remete para o baptismo e para a fonte da vida.1
A composição foi provavelmente executada entre os finais do século V e os inícios do VI. A função de pé de altar é possível, mas não está demonstrada.
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Arte Iconografia Religião Antiguidade tardia